Renato Gameiro
 
 
 

O ROTO ESFOLANDO O ESFARRAPADO

         O turfe me ensinou que mais vale um bom especialista do que um eclético. Quem quer ter sucesso no turfe, contrata alguém para gerenciar, e este alguém monta uma equipe em que possa criar, apresentar soluções genéticas, treinar e montar. Como diria avó Adelina, cada macaco no seu galho.
É assim que as coisas funcionam na Europa e nos Estados Unidos. E até que me possam provar ao contrário, o turfe de lá está dando certo. Mas no Brasil, infelizmente, falta galho e o número de macacos aumenta consideravelmente. E, afinal, o nosso Brasil é o país do jogo de cintura, do jeitinho brasileiro, enfim poucos são os especialistas e muitos os que se julgam ecléticos. E o resultado é este que temos neste momento: desânimo geral e abandono da atividade.
Tenho conversado com gente que entende muito mais de política de clube que eu. E parece que intenções existem, assim, uma forma objetiva de se chegar aos resultados ainda se encontra nebulosa. Vivemos um momento de “fog”. Sabemos da existência do Sol em algum lugar. Onde? Não parece que somos aptos ainda de encontrá-lo.
Nosso turfe sofre de um grande mal. As feridas estão sendo tratadas de forma paliativa, mas não vejo ainda ninguém indo a fundo para a descoberta da causa e da cura desta doença. Todos nós sabemos que, sem um movimento de apostas decente, não existe forma de cura. O que passa a ser importante é sairmos o mais rápido possível à procura desta cura, como fez a Argentina e o Uruguai. E isto não se resolve com Cidade Jardim pagando os prêmios em dia, e a Gávea tentando pelo menos manter o valor dos mesmos. A cura se dá em Cidade Jardim, Gávea e ABCPCC trabalhando juntos e mirando uma solução efetiva. E esta solução efetiva está na forma de se atrair público para o hipódromo e patrocinadores para os nossos páreos. Provas que têm nomes pomposos, mas que não trazem dinheiro algum para a atividade. Temos muito Presidente e General, e pouco Colgate e Palmolive.
Hoje até o Arco do Triunfo tem seu nome publicado após o nome daquele que o patrocina. O caminho passa a ser: levantar quem já patrocina o turfe no hemisfério norte e tentar convencê-los a fazer o mesmo no Brasil. Longines, Audemars Piguet ou Rolex? Pouco importa desde que um entre com a grana a nível nacional. Assim, não é na lábia que conseguiremos algo. Tem que haver um projeto a ser apresentado e capaz de convencer o patrocinador que há um mercado seleto para seu produto.
Desculpem aos que assim não pensam, porém não se patrocina turfe por hipódromo. E, sim, dentro de um mercado. O mercado em questão se chama Brasil. Enquanto não vislumbrarmos o turfe como brasileiro e teimarmos a tratá-lo como paulista, carioca, gaúcho ou paranaense, as chances de sobrevivência da atividade como um todo se tornam menores. E a tendência será um tentar tirar o doce do outro. O roto esfolando o esfarrapado.

INTENÇÕES SÃO MUITAS, AÇÕES AINDA POUCAS.
A BEM DA VERDADE, ESTAMOS TRATANDO GANGRENA
COM BAND-AID E MERCÚRIO CROMO.

         Volto a repetir. Não tenho soluções, mas a meu favor o fato de que não me elegi para um cargo de gerência em qualquer de nossos clubes. Eis a pergunta que não consegue se calar em minha mente: estariam estas três agremiações preparadas para trabalhar em conjunto? Ou melhor, existiria pelo menos a intenção?

* Patrocínio - Stud Smith de Vasconcellos, Stud H & R, Stud Magic Island, Haras Tango e Haras Santa Rita da Serra.

 

 

 
 

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