Renato Gameiro
 
 
 

SUNDAY IN THE PARK WITH GEORGE

            Gosto do que faço, mas nem sempre faço o que gosto. A única coisa que garanto a vocês vem com a maturidade da idade; a verdade é que cada vez você faz menos exercícios, mas não lhe importa a opinião alheia. É aquela mesma situação da época da ditadura: Brasil, ame-o ou deixe-o! Eu deixei...
Vejo hoje as coisas sob outro prisma do que via antes, pois, embora os conceitos mantenham-se os mesmos, a forma de atingir suas metas são outras. Fui eu que mudei? Não. Foi o mundo que mudou e tudo em volta de mim. No mundo perfeito, a campanha, o pedigree e o físico fazem um cavalo de corrida se destacar dos demais. Eu disse num mundo perfeito e isto foi o meu conceito inicial de estudar sobre cavalos de corrida. Todavia, todos nós sabemos que não vivemos em um mundo perfeito e que nem o que eu aprendi é válido nos dias de hoje. Existem mais imperfeições do que existiam há meio século. A internet, que ajuda aos que querem elevar seu grau de conhecimento, é também o maior porta-voz dos arautos da ignorância. Nunca a burrice foi tão defendida, como hoje o é nas chamadas redes sociais. Moral: vivo num mundo completamente distinto daquele que me formou como homem. E tive que me repaginar...
Sei que falo para poucos. Porém até os poucos, nos dias de hoje, valem a pena. Por isso emito minhas opiniões, pois ficar em cima do muro, só arame farpado.
Confesso que foi sem querer, pois não costumo assistir às carreiras em Delaware Park, mas a televisão estava ligada e de repente vislumbrei um potro ganhar por mais de 12 corpos. Voltei à corrida e descobri tratar-se de um filho de nosso bem conhecido Kodiak Kowboy. Seu nome, Kowboy Karma.


Kowboy Karma - Delaware Park


            Não dá para afirmar nada em se tratando de Delaware Park, mas este corre, ou melhor, corre muito e arrisco a afirmar que o fará novamente onde for pisar daqui para a frente. Ainda conta com o fato de ser criado e treinado por Larry Jones, um cara que faz as coisas mais estranhas, mas seu sucesso não pode, nem deve ser discutido.
            Guardem este nome: Kowboy Kharma.
Lembram-se? Isto foi publicado por mim há pouco mais de um mês no Ninho do Albatroz. Pode parecer que eu tenha algum interesse em Kodiak Kowboy, mas na realidade não tenho. Assim, quando algo fora dos padrões florescem à frente de minhas vistas, me inflamo, pois amo a genialidade, embora eu próprio não a tenha.
Na quarta-feira passada, Kowboy Karma voltou às pistas. Desta vez eu me liguei no fato. Tratava-se de um pequeno Stakes em Delaware Park. Logo, como disse anteriormente, pode não provar coisíssima nenhuma. Todavia, a forma como ele voltou a ganhar, esta que foi a sua segunda carreira me faz crer que ele possa vir a ser algo de muito importante. Não mexeu um músculo sequer. Nunca saiu do controle do bridão. E não deu a mínima confiança para quem o enfrentava. Na reta oposta, saiu da última colocação, sempre por fora e aberto - como uma grande barbada deve ser corrida - na curva, dominou seus adversários ainda no início da reta, como estivesse fazendo um passeio no parque, aparecendo sozinho na fotografia. Foram apenas pouco mais de 3 corpos, acredito eu, mas o importante foi a forma como esta diferença foi conseguida. Um verdadeiro Sunday in the Park with George!
Kowboy Karma me impressionou muito em sua estreia. Da mesma forma que outros grandes cavalos, como Itajara, Frankel, Zarkava, Camelot e agora em sua segunda carreira ainda mais, como o fez Sea The Stars. Irá ser ele um deles? Difícil se precisar. Mas a verdade é que você assiste a tantos cavalos correndo que, quando um supera os padrões normais, fica fácil de ser detectado. Ainda mais um que possa superar em muito estes padrões.

* Patrocínio - Stud Smith de Vasconcellos, Stud H & R, Stud Magic Island, Haras Tango e Haras Santa Rita da Serra.

 

 
 

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