ZARZA – ESTRELA NEGRA DA CONSTELAÇÃO MONDÉSIR
Marco A. de Oliveira

Filha do zaino negro britânico Swallow Tail (Bois Roussel e Schiaparelli, por Schiavoni) na nacional Platina (Blue Train e Sister Patricia), importada no ventre e poliganhadora clássica; Zarza representou nome de proa do naipe feminino da geração nascida em 1956 em território nacional. Treinada por Carlos Cabral na Gávea e Mário de Almeida em Cidade Jardim, Zarza herdou de seu pai a pelagem com qualidade similar a de sua mãe em corridas de médio e largo percurso.
Reservada do Haras Mondésir (Lorena/SP), Zarza representou nas pistas as sedas “branco, estrelas azuis” de dona Zélia Gonzaga Peixoto de Castro. Recapitulando seus feitos, contabilizemos em detalhe as vitórias obtidas pela irrequieta filha de Swallow Tail, já em sua quinta produção no Brasil. Vitórias em ordem cronológica: 25.07.1959 – Gávea – 1.300m (A.L.), em 1’22”3/5, com Juan Marchant, sobre Vendange (a 2 ½ corpos), Icangá, Igaçaba, Maba, Intruja, Ma Grise, Bambi, Clésa e Zuninga; 27.09.1959 – Gávea – 1.400m (G.L.), em 1’24”1/5, com Juan Marchant, sobre Vendange (a ½ corpo), Canoa, Kanagava, Pamona, Damigelia, Miss Fortuna, Imbuída, Qualquer e Esperteza; 08.11.1959 – estreia em Cidade Jardim – “G.P. Diana” (2ª Prova da Tríplice Coroa de Éguas) em 2.000m (G.L.), fixando 2’07”5/10, com Carlito Taborda, sobre Reignblás (a 4 corpos), Hymne, Zarca, Indômita, Fútil, Zariba, Timene, Tabah, Elisabeth e Vá Lá; 25.01.1960 – Cidade Jardim – “G.P. 25 de Janeiro” (2.000m – G.L.), em 2’02”6/10, com Juan Marchant, sobre Indômita (a focinho), Zarca, Garça, Flor Negra, Reignblás e Emocion; 21.02.1960 – Cidade Jardim – “G.P. José Guathemozin Nogueira” (3ª Prova da Tríplice Coroa de Éguas), em 2.400m (G.P.), na marca de 2’39”3/10, com Juan Marchant, sobre Zarca (a vários corpos) formando a dobrada das sedas estreladas, Reignblás, Hymne, Têmpera e K.L.M.; 07.09.1960 – Gávea – “G.P. Marciano de Aguiar Moreira” (2.400m – G.M.), em 2’29”1/5, com Juan Marchant, sobre Zoada (a um comprimento), Clematite, Zariba, Hisna, Zunga, Valence e Flor Negra; 30.10.1960 – Gávea – “G.P. Marianno Procópio” (Comparação de Éguas), em 2.000m (G.P.), no tempo de 2’05”3/5, com Adalton Santos, sobre Zoada (a 3 corpos), Faustina, Zunga e Zariba.
Igualmente em ordem cronológica, lembremos agora suas colocações obtidas quase todas em provas do calendário nobre: 2º para Valence (G.P. Imprensa – 2.000m – G.L.), finalizando à cabeça, e 3º para Dix (G.P. Almirante Marquês de Tamandaré – 2.000m – G.M.), estas em 1959, ambas na Gávea; 2º para Farwell (G.P. Derby Paulista – 2ª Prova da Tríplice Coroa – 2.400m – G.P.), ficando a três corpos do ganhador, esta em Cidade Jardim e também em 1959; 3º para Lord Vermouth (G.P. Frederico Lundgren – 2.000m – G.P.), na Gávea e já em 1960.
Em resumo, foram treze atuações na Gávea, das quais quatro vitoriosas (duas em caráter clássico) e quatro colocadas (três em provas nobres). Em Cidade Jardim, atuou cinco vezes para obter três vitórias todas clássicas e uma colocação na mesma categoria. A única vez que não chegou no placar no Hipódromo Paulistano foi em sua derradeira apresentação nas pistas, isto aos 22.01.1961, por ocasião do G.P. 25 de Janeiro, quando finalizou 6º para Indômita, em 2.000m (G.L.).
De volta ao estabelecimento que a criara, Zarza apresentou-se fértil e algo longeva. Seus principais produtos foram Idi (por Mât de Cocagne), Laracha (por Wilderer) e o poliganhador Orfeão (por Waldmeister), este incluindo clássicos. Acrescentando, ainda, que Zarza era irmã germana do ganhador pela esfera nobre na Gávea, o vistoso castanho Fiapo.

Segura por dona Zélia Gonzaga Peixoto de Castro, vemos Zarza – com o bridão chileno Juan Marchant a bordo – após a vitória no “G.P. Marciano de Aguiar Moreira”, corrido na Gávea em 07.09.1960.

   
     


© 2020 - Jornal do Turfe Ltda.
Copyright Jornal do Turfe. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal do Turfe.