De volta ao passado

LUIGI – Uma Barbada que Não Vingava
Marco A. de Oliveira

Egresso do Haras Imembuí (Santa Maria/RS), do saudoso criador Alberto Schons, o tordilho Luigi nasceu em 1960 e pintou como o melhor potro de sua geração no Hipódromo do Passo d’Areia. Ali, em três apresentações, venceu um páreo comum e o “G.P. Criadores Rio-Grandenses” (1.000m - areia), em 1’04”3/5, com H.Silva, sobre Marlesa (que mais tarde no Cristal seria vencedora clássica) e outros. Filho do castanho paulista Luigi Vampa (Antonym e Amália) – criado no Haras Faxina (Santa Gertrudes/SP) e irmão paterno do policlássico Indócil (por Distraidinha) e do craque Narvik (por Ciccê) – na tordilho oriental Zumayita (Monterreal e Zuma), Luigi chegou ao Cristal com pinta de barbada já na estreia. Cavalo retaco e bem reforçado, pertencia então ao Stud Gaúcho, das cores “branco, diagonal e braçadeiras verde e vermelho, boné em gomos”, sendo treinado por Dirceu Chichurra.
Bem, nem sempre as coisas se confirmam em hipódromos diversos e Luigi ganhou fama de não confirmar trabalhos no Cristal. Sua estreia local, em pista lamacenta, aos 15.06.1963, entre os vencedores de uma carreira – haja vista que trazia vitória clássica no interior – foi um completo fracasso. O treinador atribuiu ao mau estado da pista o début como fecha-raia.  Vieram então outras dez atuações por aqui, entremeando boas e opacas participações até alcançar – finalmente – seu primeiro êxito local. Recuperemos cronologicamente suas aparições até o louro de despedida: 2ª atuação (07.07.1963) – 2° para Pindaré (a ¼ corpo), em 1.300m (A.L.), quando deu pinta de vitória mas cansou no final perdendo nos últimos pulos; 3ª atuação (13.07.1963) – 3° para Madrugador, em 1.500m (A.L.); 4ª atuação (27.07.1963) – 6° (penúltimo) para Grupo Oito, em 1.400m (A.L.), pela primeira vez dirigido por um aprendiz; 5ª atuação (1°.09.1963) – 7° (último) para Polar Vênus (G.P. Independência do Brasil), em 1.820m (A.P.); 6ª atuação (07.09.1963) – 6° para Haragano, em 1.609m (A.L.), largando com atraso e fracassando amplamente; 7ª atuação (14.09.1963) – 2° para Carrapicho (a dois corpos), em 1.400m (A.L.), mostrando recuperação; 8ª atuação (28.09.1963) – 3° para Changueiro, em 1.200m (A.L.), diga-se de passagem, Luigi apresentara trabalhos excelentes durante a semana credenciando-o a voltar a ser favorito; 9ª atuação (1°.11.1963) – 4° para El Expectador, em 1.300m (A.L.), correndo em chave com o vencedor; 10ª atuação (15.11.1963) – 2° para Rositto (G.P. América do Sul), em 2.200m (A.L.), ficando a dois corpos em sua melhor performance no Cristal; 11ª atuação (08.12.1963) – 1.300m (A.L.), em 1’24”2/5, com Mário Rossano (que o levara desde o quinto compromisso), sobre Balcano (a 1 ½ corpo), Conde E, Unda, Aracind, Dinosauro, Itáxi, Orcinelli e Halmito. Finalmente, Luigi alcançara sua tão ambicionada vitória no Cristal.
Infelizmente, após esta carreira, algo houve com o tordilho Luigi que não mais apareceu nos programas locais.

Eis a foto da única vitória do promissor Luigi, no Cristal. Em seu dorso o saudoso Mário Joaquim Rossano, após o êxito isolado aos 08.12.1963. Na foto menor a chegada do mesmo páreo (6° da domingueira), aparecendo Luigi (por fora) livrando 1 ½ comprimento para o cara branca Balcano (por dentro) e entre eles o terceiro colocado Conde E.

 

 

 
 
 

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