De volta ao passado

JACEGUAY – UM EFÊMERO DERBY-WINNER
Marco A. de Oliveira

Jaceguay (Water Street e Dalina, por Haro) era um zaino colorado egresso da criação Erasmo Assumpção, que representou nas pistas as sedas “cinza, costuras e boné azul” de Paulo Albuquerque de Castro. Treinado por Juvenal Baptista Ivo (Cidade Jardim), teve uma campanha de poucas carreiras; mas algumas conquistas marcantes. Pertencente a uma geração de expoentes, como o tostado Indócil (Haras Faxina) e o castanho Morumbi (Euvaldo Lodi), bateu a ambos num Derby inesquecível.
A estreia de Jaceguay tardou algo em Cidade Jardim, ocorrendo em pleno segundo semestre; mas, ao fazê-la, foi exitoso: 27.09.1952 – 1.500m (A.B.), em 1’35”4/10, com Guilherme Greme Jr., sobre Out-Sider, Maypú, Borborinho, Brincalhão, Incroyable e Aço. Poucas semanas depois levantava, aos 12.10.1952, o “Clássico Imprensa” (1.800m – A.E.), em 1’57”7/10, com o mesmo jóquei e sobre Honfleur, Orsini, Out-Sider, Eslávico, Fenelon, Bastão, Fair Centaur, Perequê e Pataplum. Seu terceiro compromisso já foi um desafio de grande envergadura, aos 07.12.1952 o propalado G.P. Derby Paulista (2ª Prova da Tríplice Coroa). Em 2.400m (grama) alinharam pela ordem numérica e respectivos jóqueis: o tordilho Ogre (Luis González), Honfleur (Alberto Nóbrega), Out-Sider (Pierre Vaz), Flambeau (René Latorre), Kaesong (Olavo Rosa) – estes dois em parelha –, Morumbi (Dendico Garcia), Perequê (Lodegar Bueno Gonçalves), Huxley (Francisco Irigoyen), Acapulco (Luis Díaz) – compondo a perigosa parelha do Stud Seabra –, Indócil (José Carvalho), a potranca Oneida (Omário Reichel), Jaceguay (Guilherme Greme Jr.) e seu faixa Elfos (Salomão Ferreira). Fenelon e Otage foram os forfaits. Os treze concorrentes ocuparam a pista pouco além das 17h, na ensolarada tarde primaveril paulistana. Em homenagem ao criador Erasmo Assumpção, o proprietário de Jaceguay decidiu que seu pupilo iria à raia com as sedas “azul, alamares ouro” do referido criador. E assim foi. A largada atrasou um pouco do horário marcado para a grande prova, afinal naquele tempo ainda se alçavam as cintas, mas tudo correu como o esperado e lá se foram os litigantes. Durante boa parte do percurso o trem foi falso; porém, ao virarem a última curva – como costumeiramente ocorre em Cidade Jardim – o leque se abriu mostrando os verdadeiros potros melhor preparados para o Derby-1952. Neste caso, Morumbi, Indócil e Jaceguay se destacaram e passaram a lutar palmo a palmo pelo galardão. Morumbi foi o primeiro a se esgotar, contudo Indócil e Jaceguay mantiveram-se numa luta infrene até os metros finais, quando o pilotado do freio Guilherme Greme Jr. livrou cabeça para o cavalo do Haras Faxina. O tempo empregado foi 2’31”8/10 (G.M.), com Morumbi a vários e a seguir os demais competidores: Kaesong, Out-Sider, Honfleur, Huxley, Flambeau, Perequê, Oneida, Elfos, Acapulco e Ogre. O ganhador rateou 130,00 em vencedor e 31,00 no placê. Ainda em fase de franca ascensão, Jaceguay adjudicou-se em 28.12.1952 ao “G.P. Linneo de Paula Machado” (Comparação) em 2.000m (G.B.), no tempo de 2’21”6/10, com Guilherme Greme Jr., sobre Halte-Lá, Nyx, Out-Sider, Fox Simon (ex-Honfleur), Elfos, Flambeau e Estile.
Entretanto, como toda a glória não é permanente, o exitoso Jaceguay entrou em declínio na temporada seguinte. Sua derradeira vitória – a quinta e ainda invicto – ocorreu aos 15.02.1953, novamente num Clássico Imprensa (2.000m – A.E.), então mudando de data no calendário, em 2’21”1/10, com Guilherme Greme Jr. mantido em seu dorso, sobre Huxley, Acapulco, Astrólogo, Fox Simon, Meu Clark, Tio Chico e Ogre. Duas semanas depois desta preparatória, fracassou feio no G.P. Consagração (3ª Prova da Tríplice Coroa Paulista) em 3.000m (G.L.), quando ficou atrás de Huxley, Acapulco, Fox Simon e Indócil, sendo o fecha-raia da prova. Levado a competir na Gávea, os novos ares lhe foram maléficos e Jaceguay ficou fora do marcador nas três tentativas: último entre seis concorrentes, no G.P. Distrito Federal (3ª Prova da Tríplice Coroa Carioca – 3.000m – G.L.) ganho pelo intrépido tordilho Quiproqüó; novamente último – agora entre oito participantes – no G.P. Dezesseis de Julho (2.400m – G.L.), também vencido por Quiproqüó; nono entre onze no Prêmio Delegações Turfistas (2.400m – G.L.), ganho por Acapulco na tarde de véspera do G.P. Brasil-1953 em que Gualicho marcaria seu bis. De volta à Cidade Jardim, após tal desastrosa gira, aos 08.11.1953 Jaceguay chegaria em 2º para Astrólogo no Handicap Especial João Menezes Peake (1.400m – G.P.), despedindo-se assim das pistas com apenas quatro anos.
Casos como o de Jaceguay e sua meteórica trajetória são algo comuns no turfe, cabendo a nós escribas do passado resgatá-los para que não pereçam perdidos no tempo.

Jaceguay, com a manta doze e a farda do criador Erasmo Assumpção, na tarde de sua gloriosa conquista através do G.P. Derby Paulista, aos 07.12.1952, sob a direção de Guilherme Greme Jr.

 

 
 
 

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