Lineu Eduardo – Memórias do Panteão Paula Machado
Marco A. de Oliveira

Esta semana chegamos a mais uma edição do G.P. São Paulo em Cidade Jardim, história esta começada em 1941 – com a vitória de Teruel – na inauguração do moderno hipódromo. Contudo, desde 1923, diante do laurel do também argentino Mehemet Ali, a realização da magna prova do turfe paulista – e uma das principais do turfe brasileiro – se desdobrava então na Mooca. Outros tempos, outras glórias. Quando o turfe – muitas vezes – acendia paixões maiores que o próprio futebol.
Outubro iniciou já com uma grande perda para o turfe nacional. Aos oitenta e oito anos, vítima de uma letal parada cardíaca, pereceu um dos nomes de maior tradição do turfe nativo, remanescente de sua casta de escol. Filho do saudoso criador, proprietário e incentivador da melhoria do criatório do P.S.I. no Brasil, Linneo de Paula Machado, fundador do Hipódromo da Gávea (1926). Este, falecido em lamentável acidente aéreo em 28.09.1942. Pois bem, perdemos há poucas semanas Lineu Eduardo de Paula Machado. Último grande nome dos tradicionais Haras São José (1906) – edificado por Francisco Vilella de Paula Machado e situado originalmente em Rio Claro (SP) – e Expedictus, este em Botucatu (SP). Junta-se, portanto, in memoriam Lineu Eduardo ao irmão mais velho Francisco Eduardo de Paula Machado e aos já citados pai e avô. Todos nomes perenes de uma família devotada ao cavalo de carreiras sob o manto principal “ouro, costuras azuis, boné ouro”, ou em seu derivado Stud Rio Claro das sedas “azul, costuras e boné ouro”.
Quantos grandes corredores, reprodutores, ventres, importações inestimáveis poderiam citar-se nestas breves linhas. Alfabetos completos de animais que povoam a memória dos que conservam a diligente paixão à pesquisa e o vislumbrar constante da história do turfe como fervor e não meramente como fonte de apostas. Ouso recordar apenas uma centelha desta constelação em jalde-azul, que agora enumero rapidamente com o respectivo ano de entrada em pista de cada um: o castanho escuro Santarém (1927), o inglês Trinidad (1931), o par francês Myrthée (1930) e Formastérus (1934), o tordilho tríplice coroado paulista Funny Boy (1936), o gigante Quati (1936), o colorado Albatroz (1939), o tríplice coroado carioca Criolan (1941), a santíssima trindade do turfe brasileiro Helíaco, Heron e Halcyon (1946), o consagrado “sire” francês Fort Napolèon (1950), o graúdo Rocket (1955), as fadas tordilhas Bugrinha e Brigitte (1961), o alazão Devon (1963), o ruano Fragonard e seu parceiro tordilho Falstaff (1965), o cara branca Guaxupé (1966), o pégaso Luccarno (1969), a tostada Liberté (1969), o castanho valente Místico (1970), a inesquecível parelha Orpheus e Obelion (1972), o alazão Tibetano (1976), a tríade gloriosa Aporé, African Boy e Amazon (1978), o craque Derek (1981), o surpreendente Grison (1984), o milheiro voador Heracleon (1985), o fenômeno Itajara (1986), os internacionais Riton (1993) e Siphon (1994), a longeva Spring Star (1994), as inesquecíveis Verinha e Virginie (1997), a tríplice coroada Be Fair (1999) e o gladiador Cheikh (2000).  Paro por aqui para não extrapolar a lauda. Muitos mais poderiam ser relembrados. Contudo, esta nota vale apenas para realçar um lume já descrito em maiúsculas letras sob sua senda de vitórias.
Ganhadores do G.P. São Paulo com a farda “ouro, costuras azuis, boné ouro”: 1929 – Santarém (Novelty e Miss Florence) em 3.200m (Hipódromo da Mooca), aos cinco anos, em nome de Linneo de Paula Machado; 1944 – Albatroz (Trinidad e Myrthée) em 3.200m (Hipódromo de Cidade Jardim), aos sete anos, em nome do Stud Linneo de Paula Machado; 1979 – Tibetano (Fort Napolèon e Luzon) em 2.400m (Cidade Jardim), aos cinco anos, em nome dos Haras São José & Expedictus; 2004 – Cheikh (Roy e Plus Vite) em 2.400m (Cidade Jardim) em nome dos Haras São José & Expedictus.
        Descansem em paz homens do turfe, dos tempos em que o turfe era feito por grandes homens.


À esquerda, em tarde de glórias internacionais em San Isidro, dona Sandra e o esposo Lineu Eduardo.
À direita o agora saudoso turfman.

 

 

   
     


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