De volta ao passado
 
 
 

PANTAGUASSU – “Um Lume de Pantalon”
Marco A. de Oliveira

   O rosilho francês Pantalon (Scaramouche e La Traviata, por Alcántara II) foi vencedor em seu país de origem dos importantes Gran Prix de Marseille e Grand Criterium, além dos Prix Omnium, Prix Marot e Prix de la Salamandre. Isto em apenas cinco saídas à pista. Logo do encerramento de sua útil campanha, foi importado para a Argentina (1935) pelo criador Santiago Magnin (Haras Bronce) onde permaneceu por cerca de oito temporadas de monta. Foi então que o destacado criador gaúcho Breno Caldas decidiu por sua importação para reforçar seu plantel de sementais que então contava com o vigoroso Stefan e o já veterano Morador II. Na Argentina a produção de Pantalon foi vasta em ganhadores comuns e fraca em ganhadores clássicos. Contudo, coube ao tordilho Talón (Pantalon e Guetaria) ser seu produto mais apreciável, inclusive sendo exportado em 1947 para os Estados Unidos. Lá, foi vencedor do Santa Anita Handicap (Califórnia), em 1948, tornando-se na época o cavalo importado por aquele país com mais alta soma em pistas norte-americanas. Ocorre que – ironicamente – quanto o fato aconteceu, Pantalon já estava em solo gaúcho, servindo no modelar Haras do Arado. Tarde demais para o criatório argentino que o liberara algo cedo.   

   No Arado, o rosilho francês foi padreador por várias temporadas até seu desaparecimento. Dentre seu razoável número de produtos, destacaram-se justamente três animais adquiridos para as pistas pelo Stud Ouro Negro (Arthur Germano Schiehl): Ouronegro (ex-Pan Negro) por Ouronegra, a veloz Ourobola (ex-Pantalita) por Sans Souci e o bonito tostado Ouropan (ex-Pantaguassu) por La Traviata (homônima de sua avó paterna). Sem dúvida este foi seu melhor produto local e é dele que trataremos em destaque em nossa seção desta semana. Com campanha em Moinhos de Vento – onde atuou dos dois aos seis anos – Ouropan (ex-Pantaguassu) correu inicialmente para o sr. Walter Sachs – até agosto de 1955 – sendo então adquirido por Arthur Germano Schiehl que imediatamente – como era de seu costume – mudou o nome para Ouropan. Credenciando o potro como partícipe de seu consagrado Stud Ouro Negro, então sob os cuidados de Maximiano Souza. Em sua primeira temporada de campanha, Ouropan competiu vinte e duas vezes para vencer cinco (duas pela esfera nobre) e colocar-se em quinze oportunidades (nove clássicas). Sua primeira vitória, ainda como Pantaguassu, ocorreu em 09.04.1955 – 1.200m (AL), em 1’18”1/5, com Oracy Cardoso, sobre Magnata, Prynsal (mais tarde Arizú), Al Maktub, Odaly e Alflor. Já como Ouropan, encordoou os seguintes êxitos: 28.08.1955 – 1.600m (AL), em 1’44”1/5, com Dirceu Cunha (aprendiz), sobre Embornal, Magista, Camabis, Rosilda e Chamomila; 30.10.1955 – “Prêmio Rio Grande do Sul” (1.700m – AL), em 1’51”1/5, com Oracy Cardoso, sobre Dugravet, Rosemberg, Ourobola, Arizú, Atlantic, Odaly, Fantasma, Gruna e Argentino; 20.11.1955 – “G.P. José Herculano Machado” (Consolação), em 2.500m (AL), na marca de 2’44”2/5, com Oracy Cardoso, sobre Farel, Bucanero, Normag, Away e Mercury; 11.12.1955 – Páreo Delegação de Farmacêuticos do Centro (Handicap), em 1.800m (AL), no tempo de 1’56”3/5, com João Carlindo, sobre Bataán, Barbinegro, Away, Embornal e Roquinho. Note-se que Ouropan evoluiu gradativamente ao abordar percursos mais dilatados, obtendo em destaque as seguintes colocações clássicas naquela temporada: 2º para Guaitil (Prêmio Expositores-B – 1.200m – AL), 2º para Major (Prêmio Oscar Canteiro – 1.200m – AL), 2º para Dugravet (Prêmio Assembleia Legislativa – 1.500m – AL), 3º para Jubós (Prêmio Jockey Club de São Paulo – 1.200m – AL), 2º para Argentino (Prêmio Prefeitura Municipal – 1.500m – AL), 3º para Major (G.P. Criadores Rio-Grandenses – Criterium de Potrancos – 1.600m – AL), 2º para Major (G.P. Independência do Brasil – 1.800m – AL), 2º para Major (G.P. Jockey Club do Rio Grande do Sul – Grande Criterium – 2.200m – AL), 3º para Salomão (G.P. Comparação – 2.200m – AL). Cumpre salientar que, ainda em 1955, concorreu ao G.P. Bento Gonçalves não obtendo colocação. Em sua segunda temporada, Ouropan competiu dezoito vezes para vencer em cinco ocasiões (uma clássica) e alcançar nove colocações (três nobres). Suas vitórias então: 05.02.1956 – 1.600m (AL), em 1’42”4/5, com Silvino Ferreira, sobre Gauchão, Ourotem, Kayak, Linda Fox, Seu Netto e Aligator; 14.02.1956 – 1.700m (AL), em 1’49”1/5, com Oracy Cardoso, sobre Ourobola, Kayak, Pocitos, Suspense, Bali e Zumba; 31.03.1956 – 2.200m (AL), em 2’25”1/5, com Antônio Lemes (aprendiz), sobre Linda Fox, Ourotem, Montemar, Salera e Suspense; 08.04.1956 – “G.P. Linneo de Paula Machado” (1ª Prova da Tríplice Coroa), em 1.600m (AL), anotando 1’42”, com Armando Reyna, sobre Zum-Zum, Arbusto, Gato Montês, Major e Gasparini; 11.08.1956 – Handicap Especial (1.700m – AL), em 1’50”, com Oracy Cardoso, sobre Gasparini, Bali, Perdida, Ugando e Nívea. Suas colocações nobres na segunda temporada: 2º para Major (G.P. Cruzeiro do Sul – 2ª Prova da Tríplice Coroa – 2.200m – AL), 3º para Arbusto (G.P. Cel. Caminha – 3ª Prova da Tríplice Coroa – 3.200m – AL) e 3º para Zum-Zum (Prêmio Diretoria Geral de Remonta – 2.200m – AL). Vale lembrar que os prêmios até o citado ano eram até o terceiro posto. A contar de sua terceira temporada nas pistas, Ouropan teve declínio acentuado de campanha, assim mesmo obteve ainda mais duas vitórias e oito colocações (quatro nobres). Êxitos: 12.01.1957 – Handicap Especial (1.700m – AL), em 1’49”3/5, com Oracy Cardoso, sobre Dálmata, El Burlo, Melissa, Panache, Pirolito e Mariscal; 14.07.1957 – Handicap Especial (AL), em 1’49”4/5, com Antônio Ricardo, empatado com Gato Montês, sobre Dálmata (que venceria o Protetora daquele ano), Salera, Gianna e Bienvenido. Suas colocações clássicas: 3º para Malvin (Prêmio Governador do Estado – 2.200m – AL), 3º para Stacatto (Prêmio Jockey Club Brasileiro – 1.700m – AL), 3º para Salomão (Prêmio Diretoria Geral de Remonta – 2.200m – AL), 4º para Pértigo (Prêmio Especial Centenário do Nascimento de Joaquim Francisco de Assis Brasil – 2.200m – AL).  

   Em seu derradeiro ano de campanha nas pistas, Ouropan atuou apenas três vezes para obter uma colocação para Danúbio Azul em sua carreira de despedida (19.10.1958).

Numa breve amostra das belas fotos del Maestro Travella, vemos o rosilho Pantalon logo que importado para o Haras Bronce (ARG). Ano 1939.

 

 
 

© 2017 - Jornal do Turfe Ltda.
Copyright Jornal do Turfe. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal do Turfe.