MINDIENNE – O Último Herói Campineiro
Marco A. de Oliveira

  O fechamento oficial do Hipódromo de Campinas ocorreu aos 28.02.1974, com a realização da derradeira reunião turfística. O ocaso vinha – como já frisara no trabalho anterior – ocorrendo paulatinamente e desde a reabertura em 1968 o prado campineiro ficara sob o controle do JCSP que – com o citado cerramento – transformaria positivamente um hipódromo deficitário num importante centro de treinamento.
A última prova de destaque no extinto Hipódromo de Campinas volta-se para 1970. Na tarde ensolarada de 28 de maio disputou-se o “Prêmio Cidade de Campinas” (1.800m – A.L.). Perante bom público, dez concorrentes monopolizaram as atenções num belo espetáculo técnico e de desenrolar bem pelejado. O grande vencedor foi o castanho Mindienne (Pewter Platter e Indienne), nascido (1964) e criado no Haras São Luiz (Salto/SP) de Hernani de Azevedo Silva. De propriedade do Stud Sallum, das sedas “rosa, ferradura, gola, punhos e boné verde”, foi preparado então por Paulo Polidoro e dirigido com perfeição por Luiz Antônio Pereira. Antes de discorrer sobre os detalhes técnicos da prova – que aparecerão no decorrer do texto – repasso o resumo cronológico de campanha do útil neto paterno de Owen Tudor.
A ficha de Mindienne resumiu-se – praticamente – à Cidade Jardim, exceção feita à incursão em Campinas. Entrante às pistas em 1967, pertenceu a uma geração forte com nomes como Osman, Moustache, Sorto, Escobar, Oficial, Opoente e Junior, entre outros destacados corredores. Ficando a dever somente aos dois primeiros, Mindienne disputou em igualdade técnica com os demais referidos. Sob o preparo de Milton Singnoretti (Cidade Jardim), o neto materno de Violoncelle apareceu com destaque em prova clássica pela vez primeira no “Prêmio Natal” (1.800m – G.L.), chegando terceiro para Opoente. Já na segunda temporada, em oito saídas à raia venceu em três oportunidades (uma clássica) e colocou-se em outras três (duas pela esfera nobre). Suas vitórias na temporada: 24.02.1968 – Pesos Especiais (1.800m – A.E.) – em 1’56”8/10, com João Manoel Amorim, sobre Neléu (a ¾ corpo), Karatê, Hermitão e Fiteiro; 17.03.1968 – Pesos Especiais (2.000m – A.E.), em 2’09”9/10, com João Manoel Amorim, sobre Escobar (a 1 ½ corpo) e Karatê; 24.11.1968 – “Prêmio Ulysses Paes de Barros” (1.500m – G.L.), em 1’30”4/10, com João Manoel Amorim, sobre Mate Amargo (à cabeça), Primo Amore e Quibus. Suas colocações: 3º para Junior (Prêmio Piratininga – 2.000m – A.M.), 2º para Quevel (Prêmio 29 de Outubro – 2.400m – G.L.) ficando a ½ comprimento e novamente 2º para o ruano Nascate (Prova de Pesos Especiais IV Semana do Cavalo – 2.000m – G.L.) chegando a três corpos. Na terceira temporada Mindienne atuou oito vezes obtendo uma vitória e quatro colocações, destas uma clássica e duas em handicaps. Vitória: 13.10.1969 – Prêmio Sociedade Harmonia de Tênis (Pesos Especiais), em 1.600m (A.V.L.) na marca de 1’40”8/10, com A.Altran, sobre Lidro (a pescoço), Tietê, Oficial, o gaúcho Sauvage, Ras-El-Khima, Embate, Primo Amore e o hemorrágico Major Vaso. Colocações de maior importância: 4º para Osman (Prêmio Imprensa – 2.000m – A.L.), 4º para Non Plus Ultra (Prêmio Aviação Brasileira – Handicap Especial – 2.000m – A.P.) e 5º para Jocoso (Pesos Especiais – 1.400m – A.L.). Em sua penúltima temporada, Mindienne contabilizou mais duas vitórias (o citado clássico campineiro e outra em prova de Pesos Especiais) e quatro colocações (três em Provas de Pesos Especiais). Seus louros: 28.05.1970 – “Prêmio Cidade de Campinas” (1.800m – A.L.), em 1’57”2/10, com Luiz Antônio Pereira, sobre Alfort (a ¾ de corpo), Gavarni, Sorto, Garboso, Quichobó, Jivago, Trade Mark, Don Cachola e Retour; 27.06.1970 – Prova de Pesos Especiais (1.600m – A.P.), em 1’40”, com Luiz Antônio Pereira, sobre Noel (à cabeça), Anatoyan, o gaúcho Bonclório, Quartz e Quipo. Colocações mais importantes: 4º para Embate (Pesos Especiais – 1.600m – A.E.), 3º para Negroni (Pesos Especiais – 2.200m – A.P.) e 4º para Olks (Pesos Especiais – 2.000m – A.L.).
Em sua última temporada de pistas (1971), Mindienne não obteve sucesso em quatro saídas à raia.
Na reprodução Mindienne foi fértil, servindo em vários estabelecimentos desde o Haras do Verde Vale até o Haras Mirón. Alguns de seus produtos foram bons ganhadores, sendo o de maior destaque Don Caju (por Isbarta), vencedor do “G.P. Antenor Lara Campos” (Seleção de Potros), em Cidade Jardim, na distância de 1.500m (A.P.), na temporada de 1981.

Nas fotos de Porfírio Menezes temos: na maior Mindienne, com L.A.Pereira, retornando à pesagem após sua vitoriosa jornada no “Prêmio Cidade de Campinas” (1970). Nas outras: a primeira passagem pelo disco sob a liderança de Garboso, precedido por Alfort (pelos paus), Trade Mark e Mindienne (por fora); a chegada disputada onde Mindienne suplanta Alfort.

 

   
     


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