De volta ao passado
 
 
 

“ACANÃ - O Grandalhão Que Desafiou Bravio”
Marco A. de Oliveira

       Era o início dos anos oitenta, mais precisamente outubro de 1981, quando chegou ao Cristal – oriundo da Gávea, mas também com campanha em Cidade Jardim – o alazão Bravio (Felício e Jarucê), para aqui defender os interesses do treinador Paulo Diniz Lopes tendo como proprietário seu pai, o hoje já saudoso Simão Lopes. Ganhador de cinco (duas em São Paulo e três no Rio) fora sete colocações (três em SP e quatro no Rio), Bravio tinha pique para encarar muito bem a programação clássica no Cristal. E assim foi. Com a farda, “verde, azul e branco em quadros, boné em gomos” do citado entraineur, o alazão formou um binômio quase imbatível com o freio Nelso Pinto em seu dorso. No ano seguinte, com Bravio no auge de sua adaptação local e ganhando praticamente tudo a que concorria, seus interessados levaram-no a tentar uma verdadeira odisséia. No festival da Semana Bento Gonçalves-1982, inscreveram-no no sábado para concorrer ao G.P. Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo de Corrida (1.200m – grama), no domingo para competir no G.P. Presidente da República (1.609m – areia) e na segunda-feira para encarar o G.P. Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional (1.820m – areia). Ao todo, 4.629 metros em três dias consecutivos. Algo ímpar, por aqui. Vale lembrar que Bravio venceu as duas primeiras provas, deste verdadeiro desafio de resistência, com facilidade. E por detalhe (chegando à cabeça) não confirmou na terceira tentativa. Graças a uma joqueada de Sílvio Machado, pilotando o grandalhão Acanã – cerca de 500Kg –, o qual foi somente esta vez por ele conduzido. Estrategicamente escolhido, por sua experiência e noção privilegiada de percurso, para tentar – e conseguir – brecar o feito de Bravio. Um fato para não apagar da memória, por ser inusitado e marcante. É justamente da campanha e peculiaridades de Acanã que discorreremos hoje.
O alazão Acanã, nascido em 1977, no Haras Alsiar (SP), cumpriu campanha inicialmente em Cidade Jardim. Afeito a percursos mais dilatados, foi vencedor das seguintes provas naquele hipódromo: 12.10.1980 (1.500m), 28.05.1981 (2.200m), 24.09.1981 (2.000m) e 28.11.1981 (2.200m). Obteve ainda doze colocações, sendo a principal um 3° para Comme On, na Prova Especial Delegações Turfísticas (2.200m - AL), aos 17.05.1982. Em seguida veio para o sul, por aquisição feita pelos sócios Fernando, Ricardo e Raul Corrêa – sedas “preto e branco em quadros, mangas e boné branco” –  a fim de seguir campanha no Cristal. Cavalo de compleição física reforçada e avantajada, procedia da união entre o britânico Excel II (Saint Crespin e Grey Rthythm, por Grey Sovereign) e a argentina Afumada (Aletsch e Smotty, por Scratch). No Cristal foi entregue aos cuidados profissionais de Manoel Ramos e, após uma estreia discreta, mais descansado logo começou a mostrar serviço. Recuperando em detalhe seus êxitos locais: 19.07.1982 – Prova Especial I (1.609m – AÚ), em 1’41”3/5, com Holmes Freitas, sobre Peppermint, Linda, Colosso Skidy, Ornarello, Arrivo, Fulminat, Feu D’Enfer e Rovatom; 08.11.1982 – “G.P. Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo de Corrida Nacional (1.820m – AL), em 1’55”3/5, com Sílvio Machado, sobre Bravio, Upset, At Once, Deblu, Mixbury e Snow Scotch; 07.11.1983 – “G.P. Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo de Corrida Nacional” (1.820m – AL) – vencendo pela segunda vez consecutiva esta prova – no tempo de 1’54”, com Paulo Juarez Garcia, sobre Drástico, Dyango, Estengran, Tropic Show, Kronpezai, Zalumar, Hermon e Batovi; 27.11.1983 – “G.P. José Herculano Machado” (Consolação), em 2.200m (AL), na marca de 2’21” exatos, com Paulo Juarez Garcia, sobre Zatel, Zool, Dajran, Dervish, Fast Raft, Dark Duke e Khan Jar.
De imediato, citemos cronologicamente suas colocações obtidas no Cristal: 3° para Upset e Mixbury (empatados) no Clássico Túlio Araújo (1.820m – AL), 3° para Bravio (G.P. Antônio Joaquim Peixoto de Castro Jr. – 1.609m – AL), 3° para Céltico (Prova Especial I – 1.609m – AL), todas em 1982; 3° para Lord Prospector (Prova Especial I – 1.609m – AL), 2° para Agraciado (Prova Especial XXVª Conferência Distrital do Rotary Internacional – 1.609m – AP), 3° para Dajran (G.P. Centenário da Livraria do Globo – 1.609m – AL), estas em 1983; 4° para Taperão (G.P. Governador do Estado – 2.000m – GM), já em 1984.   
Infelizmente, Acanã não chegou a ser aproveitado na reprodução.


Na foto maior vemos Acanã, com Sílvio Machado no dorso, após seu feito em 08.11.1982, ao conquistar contra Bravio o G.P. CCCCN, no Cristal. Na foto menor, a sensacional chegada.

 

 

 
 

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