De volta ao passado
 
 
 

CÁUCASO – “Clássico nas Pistas e Apreciável na Reprodução”
Marco A. de Oliveira

Enquanto Escorial era soberano na Gávea, entre os produtos lançados às pistas em 1958 pelo Haras Guanabara (Roberto e Nelson Grimaldi Seabra); em Cidade Jardim, outro potro do notável estabelecimento paulista despontava como líder da mesma geração. Cáucaso, era o nome dele, irmão paterno de Escorial e do recordista Lohengrin, seus coetâneos, todos filhos do mesmo pai – o reprodutor italiano Orsenigo –. Cáucaso descendia por via materna de Cantata, mãe dos clássicos Canaletto (Bambino) e Canavial (Radar). Igualmente de pelo castanho, como seus dois citados irmãos paternos, Cáucaso foi efêmero nas pistas face a um sério contratempo que acabaria deixando-o por largo tempo parado e, devido aos insucessos em seu regresso, fosse logo encerrada sua performance. Atento a sua apreciável trajetória inicial, o criador gaúcho Edgar de Araújo Franco (Haras Chapéu de Sol) trouxe o filho de Orsenigo para ser o novo garanhão-chefe de seu estabelecimento, no final de 1959. Haja vista que o veterano Mister – 1° garanhão desde a fundação do estabelecimento de Belém Novo, em 1950 – já estava em avançada idade. Ali, como veremos mais adiante, Cáucaso foi útil reprodutor com bom índice de aproveitamento através de seus produtos.
Inicialmente, repassemos a campanha de pistas de Cáucaso, limitada ao Hipódromo Paulistano em apenas duas temporadas. Em Cidade Jardim, o defensor das sedas “verde e preto, em listras verticais” (Stud Seabra) saiu à raia para competir num total de nove oportunidades (seis em 1958) para vencer em três delas (uma clássica) e colocar-se em duas. Já em sua curtíssima 2ª campanha (1959) – nitidamente prejudicado pelo mal que brecara por quase um ano sua ficha – correu apenas três vezes não se colocando. Seu treinador era o argentino, radicado no Brasil desde a perda do Pellegrini de 1952 com Yatasto, Juan Ramón de La Cruz. Homem de extremo conhecimento com puros-sangues de carreira. Recuperando os dados vitoriosos de Cáucaso: 13.07.1958 – 1.300m (AL), em 1’23”, com o bridão chileno Luis González, sobre Leloir (a vários corpos), Emissor, Xerez, Diplomata, Tout Bleu, Kambú, Lar, Fartim, Ronaldo, Kedley e Kibelo; 24.08.1958 – 1.500m (AL), em 1’36”1/10, com Luis González, sobre Ogan (a três corpos), Diplomata, Leloir e Olibrius; 07.09.1958 – “G.P. Ipiranga” (1ª Prova da Tríplice Coroa Paulista), em 1.609m (GL), no tempo de 1’28”2/10, com Luis González, sobre Egípcio (a três corpos), Xadrez, Ogan, Sciapur, Olibrius, Investiment, Lohengrin, Xaveco, Ferrabraz, Lelong e Diplomata. Note-se que as três vitórias de Cáucaso que guindaram-no à liderança temporária de sua geração foram todas com sobras. Suas colocações clássicas foram: 2° para Uraquitã (Prêmio Herculano de Freitas – 1.400m – AL) e 3° para Jocelyn (Prêmio José S. Quinta Reis – 1.500m – AL). Além de um quinto lugar (a premiação era até o quarto posto em provas nobres) para Gaudeamus, no G.P. Manfredo Costa Junior (2.000m – GL), todas em 1958.
Como disséramos antes, o encerramento da campanha de Cáucaso favoreceu sua vinda para o Haras Chapéu de Sul, onde serviu com êxito de 1960 a 1967. Sua primeira safra iniciou campanha em 1963, rendendo bons ganhadores, porém todos em nível comum. Já em sua segunda safra, destacou-se com a clássica milheira Caucasiana (Siberiana) – quatro vitórias nobres no Cristal – e o útil El Glorius (Schiava). Em sua terceira fornada, Buena (Mariposita) – uma irmã materna da líder Veleira do Sul (por Torpedo) – teve curta, porém clássica campanha (Prêmio Jockey Club Brasileiro-1965) no Cristal. A quarta geração de filhos de Cáucaso rendeu apenas ganhadores comuns, com destaque para o alazão Cotillon (Arianalada). Na seguinte, o parelho Fogo Pato (Silver Doll) – irmão materno da recordista e policlássica Sacha (por Torpedo) – retomou o rumo dos ganhadores nobres para o reprodutor Cáucaso, pelo laurel no Prêmio A.J. Peixoto de Castro Jr.-1968. Seu melhor produto entrante às pistas em sua sexta temporada de monta foi Egípcio (ex-Aberdeen), um filho da reprodutora Embler, o qual embora não tendo alcançado conquista pela esfera nobre local, logrou colocações na mesma. Em sua sétima geração, pintou muito bem a poldra Tarasova (Hansa), entretanto logo foi afastada das pistas ao mancar com gravidade. Em sua última safra gaúcha, Cáucaso obteve maior destaque através do bonito Ponteador (Arianalada) – irmão inteiro de Cotillon – que chegou à esfera nobre (Prêmio Santos Dumont-1971) numa geração de nomes de proa como Zumbador, Billy, Clâmido e El Flete.

O cavalo Cáucaso, em foto de 1959, logo de ser agregado como semental ao Haras Chapéu de Sol.

 

 

 
 

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