DE VOLTA AO PASSADO

VILASCA – A Cirilinha de Santa Maria
Marco A. de Oliveira

A Fábrica de Refrigerantes Cyrilla (Santa Maria/RS) teve uma tradição iniciada em 1910, na primeira metade do século passado e esteve inativa por aproximadamente quatorze anos, desde 2006 retornando a partir de maio de 2020. A laranjada (extraída dos óleos essenciais da casca da fruta) era o carro chefe, enquanto o guaraná e a tônica os acompanhantes. Também surgiu, dentre seus associados e funcionários, a criação do Atlântico F.C., equipe amadora que veio, mais tarde, a fundir-se com o Guarany F.C. – clube profissional – de Santa Maria. Isto a partir de 15.09.1951, em função da exigência para que os clubes que aderissem ao profissionalismo possuíssem estádio. Como o Guarany F.C. não possuía uma praça de esportes própria, fundiu-se com o Atlântico F.C. – que detinha então o Estádio dos Marmeleiros –. O fato deu origem ao Guarany Atlântico F.C., adotando as cores azul, branco e preto.
Pois bem, o que tem a ver esta história com nossa homenageada da semana, logo explico. Vilasca era uma zaino filha do argentino Mister Fox (Foxglove e Moncloa) na nacional Wilar (Viborón e Chita). Nascida aos 05.09.1957 e criada pelo Haras Imembuí (Santa Maria/RS), pertencia ao criador Alberto Schons que deu-lhe o nome inicialmente de Cirilinha. Nome pelo qual tornou-se conhecida revelando-se uma das melhores éguas de tiro curto e médio do extinto Hipódromo do Passo d’Areia, nas temporadas de 1960 e 1961. Ali, no velho hipódromo santa-mariense, disputou quinze provas para vencer oito, chegar em segundo uma vez e em terceiro em quatro oportunidades. Totalizando a soma de Cr$ 111.440,00 em prêmios. Somente com quatro para cinco anos e com o nome trocado para Vilasca, a ex-Cirilinha veio para o Cristal para retomar campanha sempre para seu criador e proprietário Alberto Schons. Este, nunca registrou farda própria, sempre seus animais correram para a blusa de seus treinadores. Assim, Vilasca chegou e foi entregue ao competente Vitorio Rodríguez, treinador uruguaio radicado por aqui desde o extinto Moinhos de Vento. Portanto, correu para sua farda na época “azul, mangas e boné ouro”. No Cristal, a útil filha de Wilar atuou apenas oito vezes para vencer nas seis primeiras (uma clássica) e colocar-se nas duas últimas apresentações locais ambas em nível nobre. Recordemos, pois seus êxitos em Porto Alegre: 17.03.1962 – estreia – 1.300m (A.Ú.), em 1’22”4/5 com Outubrino Magalhães, sobre Lord Rhum (a 3 ½ corpos), Múcio, Best Moon, Jatinã e Guaraina;  25.03.1962 – 1.200m (A.L.), em 1’16”1/5, com Outubrino Magalhães, sobre Popograma (a 1 ½ corpo), Pirralha, Percauta, Jatinã, Gold Lorena, Alexandra, La Boheme, Branquita e Dona Lizette; 31.03.1962 – 1.400m (A.L.), em 1’29”2/5, com Outubrino Magalhães, sobre Querida (a 3 corpos), Grei Tatá, Esitana, Ouromia, Kerina e Ringuda; 22.04.1962 – “Prêmio Jockey Club de Pelotas” (1.400m – A.L.), em 1’30” exatos, com Outubrino Magalhães, sobre Cruz de Malta (a 3 corpos), Lady Cidra, Sofia, Tanira, Gran-Princesa, Grama Verde, Abigail, Brigitte Bardot, Quincha, Grasseta, Salgada, Aragoya, Batera e Misterma; 12.05.1962 – 1.400m (A.L.), em 1’28”, com Outubrino Magalhães, sobre Lady Cidra (a 2 ½ corpos), Grasseta, Quaff, Canaveral, Ouroara e Arado; 31.05.1962 – 1.820m (A.L.), em 1’57” 2/5, com Julio Reis, sobre Lady Cidra (a 2 corpos), Lordsburg, Sofia, Ouroara, Lady Cerveja, Grasseta e Canaveral. Sem mais enturmamento para correr na sua faixa etária, Vilasca passou a encarar provas clássicas e não foi mal, obtendo duas colocações pela esfera nobre: 5º para Timoneiro (Prêmio Governador do Estado – 2.400m – A.Ú.) e 3º para Fresh (Prêmio Jockey Club Brasileiro – 1.820 m – A.Ú.), ambas em 1962.
Retirada das pistas no mesmo ano, Vilasca retornou ao seu criatório de origem. Sendo útil ventre e gerando produtos ganhadores e bem conhecidos dos então freqüentadores do Cristal. Tais como: Violonville (por Bougainville), Lascaville (por Bougainville), Dometila (por Declive), Delasco (por Declive) e Debicadora (por Declive) entre outros.

Em 22.04.1962, após vencer o “Prêmio Jockey Club de Pelotas”, Vilasca – com Outubrino Magalhães em seu dorso – retorna à pesagem no Cristal.

 

 
 
 

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