Breve Histórico do Extinto Turfe Campineiro
Marco A. de OIiveira

A criação de um hipódromo na cidade de Campinas (SP) é algo que remonta ao século XIX, a partir de uma ideia do médico Joaquim de Paula Souza. Do sonho inicial à conclusão para inauguração – passando por diversos trâmites legais e com isso burocráticos – somou-se mais algum tempo até a posse de uma Diretoria sob a Presidência provisória de Francisco de Camargo Penteado em 1º.09.1878, com a realização de uma Assembleia Geral que culminou pela inauguração das corridas no Hipódromo do Bonfim aos 29.09.1878. Então sob a égide do Presidente Oficial Luiz Antônio de Pontes Barbosa.
O Hipódromo do Bonfim seguiu por várias décadas entrando século XX adentro e assistindo a prosperidade da Mooca e posteriormente de Cidade Jardim. Em 1948, um antigo sonho ganhou forma e o Bonfim atingiu o patamar de reunir – através de um Grande Páreo que juntou inscrições de peso – a primeira edição do “G.P. Campinas”. Para o Stud Fazenda Nova com suas sedas “lilás”, sagrou-se vencedor o castanho Goleiro (Helium e Silenciosa), dirigido por José de Carvalho e preparado por João Enrich, na marca de 2’36” exatos para os 2.400m. A vitória do cavalo que representava o turfe paulistano abiscoitou a dotação de Cr$ 50.000,00, bem interessante para a época. Vale dizer que já na década de cinquenta o Bonfim conseguia montar cerca de 400 páreos anuais, praticamente a metade daqueles organizados pelo Hipódromo de São Vicente, bem mais próximo da Capital e com a vantagem de uma melhor aclimatação enquanto região litorânea e uma raia privilegiada.
O Bonfim seguia concentrando razoável movimento de apostas, mesmo diante de paradas e ameaças de devolução da área aos herdeiros do cedente, mantendo sua prova principal anualmente e volta e meia tendo a Prefeitura de bancar a protelação da devolução. Contudo, as mudanças político-econômicas trouxeram ventos adversos com o passar dos anos. Assim, sem motivos palpáveis, a Prefeitura de Campinas pediu a devolução da área do hipódromo a contar de 1957. Esse fato em contrário apressou a compra de uma gleba de terra desmembrada da Fazenda Boa Vista ao longo da via Anhanguera. Com prazo de dez anos para a utilização da nova área para a construção de um novo hipódromo e sem poder desfazer-se da mesma por duas décadas. Em 1963 parte da área foi necessariamente devolvida aos herdeiros. O fato é que muitos turfistas foram contrários à compra da nova área, pois não viam mais viabilidade e até mesmo rotulavam como um entrave – por sua localização – para o progresso da cidade de Campinas. Ora, era vista a mudança como algo que não proliferaria com sucesso e assim foi. O Hipódromo do Bonfim seguiu – com percalços – mantendo-se ativo e sustendo sua prova principal como honra da casa até 1964. Deficitariamente o prado campineiro, já com a área nova recebendo poucas corridas, foi negociado ao Jockey Cub de São Paulo – então presidido por João Adhemar de Almeida Prado. Imediatamente – vista a necessidade de várias reformas logo providenciadas – o Jockey Club Campineiro já sob o controle do JCSP remodelou as instalações do Hipódromo da Boa Vista. Subvencionado então pela Capital, o Jockey Campineiro voltou à ativa aos 24.10.1968. Uma multidão acorreu às remodeladas instalações, onde as provas tiveram como ápice naquela jornada a vitória no “G.P. Jockey Club de Campinas” (prova principal) do bico-branco Madurodan (Cobalt e Eneida), após belo duelo com o atropelador alazão King Archer. Vale recordar que Madurodan era então um quatro anos egresso do Haras Guanabara, defendendo as sedas do Stud Carioca e sob o preparo de Amazílio Magalhães. No entanto, foi apenas um entusiasmo inicial e Campinas não alcançou o movimento esperado em sequência. A dificuldade de acesso, a perda gradual do interesse, as poucas inscrições e os prêmios apequenados frustraram qualquer tentativa de manutenção de um hipódromo na região.
O ocaso foi paulatino, mas irreversível. A administração do JCSP foi percebendo a necessidade de maior quantidade de alojamentos para sua crescente cavalhada e um centro de treinamento se fez deveras necessário. Uma coisa se aliava à outra. Até que, já no início dos anos setenta, o Hipódromo da Boa Vista tornou-se definitivamente um importante Centro de Treinamento às expensas do JCSP.

Sob a monta de Dendico Garcia e seguro pelo treinador João Godoy, o seis anos Ogun (Formastérus e Beldad) é recebido após seu fácil triunfo no “G.P. Campinas” aos 31.05.1956. Na foto menor, o vencedor cruza o disco na raia encharcada do Hipódromo do Bonfim.

 

   
     


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