MEDIDA MERECEDORA DE APLAUSOS
Milton Lodi

Há pouco tempo, eu comentei o fato de que poucos laboratórios no mundo do turfe são credenciados pela FIAH, a mais importante entidade do turfe mundial, para exames de controle antidoping.
Além da Inglaterra, França, Austrália e Hong Kong, também os Estados Unidos figuram na relação. Nem mesmo no Japão, de grande representatividade no turfe mundial, por exemplo, ainda não tem laboratório credenciado, tendo que se utilizar dos serviços de Hong Kong. Ante o rigor do referido controle, causaria espécie a inclusão de um laboratório nos Estados Unidos, na Califórnia, e isso porque é de um conhecimento geral, no mundo do turfe, a habitual previsibilidade do uso de drogas estimulantes ou não para correr naquele país.


Frank Stronach - The Stronach Group


Mas como, por que a FIAH credenciaria um laboratório em um país completamente fora das linhas mestras de um bom turfe? A resposta parece vir pela determinação do Presidente dos Hipódromos de Santa Anita e Golden Gate, que recentemente divulgou da proibição do uso de quaisquer medicamentos nos dias de corridas nos animais inscritos para correr. Proibição nos dias de corridas é muito pouco, mas é na verdade um princípio, um primeiro passo para que o usual abuso de drogas possa vir a ser proibido em sua totalidade. O princípio é que os corredores se apresentem para competir com as suas próprias forças, seus próprios recursos, e sem quaisquer ajudas que possam acelerar os seus poderios. Em princípio de um modo geral, a maioria das drogas, creio eu, deixam de apresentar vestígios em um mês. É claro que há de haver drogas que necessitam mais tempo e outras menos tempo para não deixar vestígios em seus usos, mas compete aos veterinários dos corredores controlar as aplicações das drogas, pois, se surgir algum vestígio de drogas nos exames, deve representar punições na certa. Esse é o princípio das competições, lisura absoluta e dentro de um rígido controle. Só assim pode um país melhorar gradativamente a qualidade de seu plantel. Proibir a medicação no dia da corrida é um simples passo, mas que, em um país em que a ministração de drogas representa um terço dos seus êxitos, já é um tanto favorável. Os dois outros dois pés de apoio dessa atividade norte-americana no turfe são a grandeza dos investimentos nessa área e a enorme publicidade, que é justificada em boa parte pelo sucesso dos produtos yearlings comprados pelos europeus e asiáticos, que são fortes compradores de produtos ainda não domados, isto é, de produtos que ainda não serão submetidos aos violentos e repetitivos trabalhos nas pistas e ainda não usuários de drogas.
O Presidente Stronach, dos dois fortes hipódromos citados, já está mostrando que vai seguir em linhas mesmas da FIAH. E isso será um exemplo que deverá ser seguido por uma boa parte dos outros hipódromos. Tudo é possível, em um país que produz anualmente mais de 22 mil produtos da raça PSI e que tem um farto poderio financeiro.

 

 
 
 

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