Milton Lodi
 
 
 

O ARCO DE 2017

         Como um dos países do primeiro mundo a França entendeu de modernizar as instalações das arquibancadas de Longchamp, onde anualmente é disputado o Prix de L’Arc de Triomphe. As obras são de grande porte, pois, mesmo sendo mantido o aspecto externo, na parte interior as antigas e já de algum tempo necessitando de uma modernização com mais conforto, ar climatizado com aparelhos de refrigeração em todos os setores, e ainda calefação visando os meses de frio.


Como será o novo Hipódromo de Longchamp - Dominique Perrault Architecture

A monumental obra demandará dois anos de trabalho, obrigando o turfe francês a fazer disputar os Arcos de 2016 e 2017 no Hipódromo de Chantilly, que fica aproximadamente à uma hora e meia de Paris. As acomodações para o público não são ótimas, carecem também de modernização, mas foi o jeito encontrado para não interromper a realização da prova mais charmosa do turfe mundial. Em todos os muitos anos de realizações, em outros dois anos também o Arco não foi corrido em Longchamp, isso durante a 2ª Grande Guerra, de 1939 a 1945, Longchamp foi bombardeada pelos alemães, e o Arco foi corrido no Hipódromo de Le Tremblay. Mesmo fora de Longchamp o Arco de 2017 não perdeu o brilho, tendo sido notados alguns detalhes importantes. No turfe brasileiro, as nossas provas de Grupo são chamadas de Grandes Prêmios, e provas listadas de Clássicos. Nos outros países, cada um têm critérios diferentes. A palavra “Stakes”, na Inglaterra e na Irlanda, é entendida como Grande Prêmio, mas não necessariamente são provas de Grupo. Na França, um páreo eventualmente chamado de Grand Prix só é superior às nossas provas de Grupo. Assim, todas as provas do meeting do Arco, todas inclusive o próprio Arco, são Prix, e não Grand Prix, como erroneamente anunciavam os locutores da televisão brasileira. Por falar em televisão, brilhou intensamente a PMU, transmitindo desde sábado dia 30 de setembro e domingo 1º de outubro, toda a realização do meeting, com todos os intervalos entre os páreos com falas em português e apenas o decorrer dos páreos com o locutor oficial, naturalmente o francês. Um detalhe aparentemente negativo foi a propositada não filmagem do jóquei vencedor do Arco, o italiano Lanfranco Dettori, que sempre salta do seu cavalo vencedor com os braços abertos. Toda a imprensa turfística europeia procura mostrar aquele momento de glória, mas a transmissão francesa fez questão de não mostrar. Outro detalhe foi o abraço do jóquei vencedor com o treinador da excepcional potranca vencedora, entre vários cumprimentos e abraços, antes da repesagem. Só depois da repesagem oficial é permitido aos jóqueis quaisquer contatos físicos com quaisquer pessoas, é obvio. Mas nada empanou o grande brilho da festa turfística. Filmada de vários ângulos, os 18 competidores formavam um denso bloco, e aparentemente não se observou quaisquer impropriedades, como desvios de linha, fechadas ou semelhantes. O filme desse páreo deveria ser passado várias vezes na Escola de Jóqueis do JCB com comentários do competente coordenador geral Marcello Cardoso. Também alguns jóqueis que correm na Gávea deveriam ser chamados para a tal exibição do filme, que na reta final, vista de frente, mostra jóqueis incompetentes tentando atropelar por dentro onde habitualmente não há passagens, e mais um, que vinha atrás pelo meio castigando violentamente o seu cavalo que já estava batido. Infelizmente há jóqueis incompetentes em todos os hipódromos.
A brilhante favorita e ganhadora do Arco foi a potranca inglesa de 3 anos de nome Enable. Ela iniciou-se nas pistas com vitória, e depois de um intervalo de 5 meses voltou, chegando em 2º para uma companheira de cocheira, sendo essa a sua única derrota. Depois venceu 5 corridas seguidas, e sua autoritária vitória no King George II e Queen Elizabeth Stakes, para produtos de 3 e mais anos em 2.400 metros, foi eleita a antecipada favorita do Arco. Sete vitórias e um 2º lugar em 8 apresentações, correndo sempre entre os melhores. Enable é uma castanho de 3 anos, de criação e propriedade do Prince Kahlid Abdulla, da Arábia Saudita, e na opinião de muitos experts europeus é o melhor e o mais técnico dos criadores. Seu haras fica na Inglaterra, e Enable é treinada por John Gosden, em Newmarket. O haras se chama Juddmonte Farm. Grande favorita, Enable correu em 4º lugar, muito bem levada pelo seu jóquei habitual, o campeão L.Dettori, e na última reta, quando solicitada pelo italiano, assumiu a liderança e venceu firme por aproximadamente 4 corpos. O pai de Enable também é de criação e propriedade do Prince Khalid, chama-se Nathaniel, que é um filho de Galileo. Foi muito bom corredor, de padrão clássico. O pedigree de Enable mostra um imbreeding de 3x2 sobre Sadler’s Wells. Não sei dizer se a mãe do pai Nathaniel foi comprada cheia de Galileo ou se foi produto de cobertura comprada do espetacular garanhão.


Enable - El Informativo Hípico

O grande meeting da semana do Arco iniciou-se no sábado, 30 de setembro, recheado de provas de Grupos 2 e 3, culminando com o Prix du Cadran, Grupo 1, tradicionalmente disputado em 4.000m mas que desta feita em 4.100m, possivelmente em função da configuração da pista. É para produtos de 4 ou mais anos. O vencedor foi Vazirabad, um filho do alemão Manduro em filha do francês Linamix. O primeiro citado já esteve no Brasil em “shuttle”, Manduro pela sua brilhantíssima campanha além de sua clássica campanha nas pistas, pelas seguidas demonstrações em percursos longos e sempre em ritmo forte sem nunca diminuir, quanto mais melhor. No domingo, 1º de outubro, tarde do Arco, muitas provas graduadas principalmente de G.1. No Prix Marcel Boussac, Criterium de Potrancas de 2 anos, em 1.600m, venceu Wild Ilusion, uma filha de Dubawi. No páreo para os produtos de 2 anos, 1.600m, Prix Jean Luc Lagardere, a ganhadora, derrotando os machos, foi Happily, uma filha de Galileo em filha de Storm Cat. Foi a vitória da única fêmea que disputou com os machos o páreo para os produtos. O citado J.L. Lagardere foi quem comprou os Haras de Marcel Boussac, quando da sua morte. O Prix D’Orange, para potrancas de 3 anos em 2.000m, a vencedora foi Rhododendron, uma filha de Galileo em filha de Pivotal. Nesse páreo, em 2º chegou outra filha de Galileo, e em 3º Lady Frankel, esta filha de Frankel. No Prix de L’Abbaye de Longchamp, para produtos de 2 e mais anos em 1.000m, venceu Battaash, filho de Dark Angel. No Prix de La Foret em 1.400m, para 3 e mais anos, venceu Aclaim, um filho de Aclamation. Foi mais uma promoção gloriosa do turfe francês. Não seria necessário dizer que todos os páreos foram disputados em pista de grama. Em 2018, teremos a volta do Prix de L’Arc de Triomphe, e de suas importantes provas do grande festival, no Hipódromo de Longchamp.

 

 

 
 

© 2017 - Jornal do Turfe Ltda.
Copyright Jornal do Turfe. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal do Turfe.