DUAS PROVAS IMPORTANTES DE G.2
Milton Lodi

No domingo, 11 de novembro, o público turfístico carioca assistiu no Hipódromo da Gávea duas provas especiais de Grupo 2, que se apresentaram de modo espetacular. No GP Gervásio Seabra, em 1.600m para Produtos de 3 e mais anos, prova em homenagem à memória de um grande turfista que além de muito bom proprietário foi o pai de Roberto e de Nelson Grimaldi Seabra, que posteriormente foram proprietários individuais. Gervásio tinha a blusa “preto e verde em listas verticais”, Roberto com a “preto, cruz de santo André e boné encarnado” e Nelson com a “branco, cruz de santo André e boné encarnados” (blusa do lendário criador italiano Federico Tesio).
No início, eram três proprietários individuais, que compravam habitualmente bons corredores argentinos e uruguaios, como entre muitos outros Bambino, Cruz Montiel e a inesquecível Tirolesa. Depois, com a morte de Gervásio, os irmãos dispuseram de suas blusas e se uniram com a blusa do pai, sob o nome de Stud Seabra, e mais adiante, com a implantação do Haras Guanabara, continuaram os dois irmãos e sócios com o título de Haras Guanabara  com a blusa do pai.
A homenagem a Gervásio é uma das mais justas no calendário clássico do JCB. Estavam inscritos seis corredores de boa categoria, dos quais dois se destacavam, Invader, considerado o melhor milheiro nacional, pela sua importantíssima vitória na milha internacional do GP Presidente da República na tarde do GP Brasil, que iria enfrentar Tiro Ao Alvo, um filho de Roderic O’Connor que vinha de performances cada vez melhores, em ascensão técnica evidente, colecionando vitórias cada vez melhores. As características de correr dos dois são completamente diferentes. Tiro Ao Alvo tem uma impressionante aceleração inicial, e habitualmente da largada até a chegada mantém o ritmo intenso, e Invader, ao contrário, corre atrás para uma brilhantíssima atropelada na reta final. Os dois cavalos eram habitualmente montados por jóqueis que conheciam bem as suas montarias, Tiro Ao Alvo com M.Gonçalves, e Invader com o melhor jóquei em atividade no Brasil, o Mestre Carlos Lavor. Dada a partida, como de hábito, Tiro Ao Alvo tomou a ponta e ditou um bom ritmo e que lhe era favorável. Quem o quis perseguir desgastou-se, era uma caça à raposa. Enquanto, Mestre Lavor mantinha o seu Invader em último, o ótimo Tiro Ao Alvo manteve o ritmo, e a sua diferença inicial aumentou um pouco, enquanto Invader atropelava fortemente, passando para 2º e tentando descontar a vantagem do ponteiro. Mas Tiro Ao Alvo chegou ao vencedor com 1 corpo inteiro com luz. Até um novo confronto, que poderá acontecer no dia 15 de dezembro, em 1.600m, no GP Frederico Lundgren, Tiro Ao Alvo é o novo campeão brasileiro na milha.


Tiro Ao Alvo - Gerson Martins


Na outra prova nobre do dia, o GP Marciano de Aguiar Moreira, um dos companheiros do grande benemérito Linneo de Paula Machado na implantação do turfe no Rio, reuniu um excelente lote de 9 inscritos, dos quais 3 eram da criação Araras. Foi um páreo forte, muito disputado. No meio da reta, quando aparentemente Future Queen assumiu a liderança, deu a impressão que o páreo já estava decidido, mas logo depois Escalera Real, do Stud Grenoble por ela passou dando a impressão que decidira o páreo, mas nos últimos 200 ou 150 metros, surpreendentemente Future Queen valentemente venceu por 1 corpo. Future Queen, do Haras Santa Maria de Araras em 1º, Escalera Real em 2º, uma filha do japonês Agnes Gold. As três representantes da criação Araras foram 1º, 3º e 5º.
As duas primeiras colocadas de cada uma das duas provas de G.2 do dia tinham 4 treinadores diferentes, todos de Centros de Treinamento. A saber por ordem alfabética:
- Christiano Oliveira (Future Queen)
- Dulcino Guignoni (Escalera Real)
- Luiz Esteves (Tiro Ao Alvo)
- P.S. de Deus/Roberto Solanes (Invader)
Esses 4 treinadores e mais Venâncio Nahid, formam o quinteto dos treinadores que mais ganham provas do calendário clássico, em função de suas qualidades atraírem para os seus cuidados os corredores de melhores perspectivas.

 

 
 

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