HÁ QUE SE TER PACIÊNCIA
Milton Lodi

Essa epidemia mundial que a todos incomoda, reflete-se de forma diferente nos vários centros turfísticos. Por exemplo, na Argentina, estão suspensas as corridas. O JCB paralisou as suas atividades, não promovendo corridas, durante cerca de cinco semanas. Também os JCP e JCRGS interromperam por semanas as suas atividades.
Enquanto isso, surpreendentemente, o JCSP manteve as suas corridas semanais, mesmo sem público presente, e mais, passou a pagar os prêmios integrais logo após a confirmação dos páreos e sem interrupções. Embora as dotações lá sejam muito pequenas, mantiveram a atividade viva, em funcionamento, fazendo a máquina funcionar.
O JCB, quando voltou a funcionar promovendo corridas, o fez reduzindo os prêmios em 40%, e sem público. O clube carioca tem uma entrada de dinheiro proveniente da venda de suas corridas para o exterior, EUA e França principalmente, que permitem esse funcionamento. A volta das corridas no Rio de Janeiro provocou uma intensa ida de cavalos, treinadores e jóqueis semanalmente para SP, isso facilitado para que os clubes carioca e paulista tendo como principal dia o sábado para SP e domingo para o RJ e a utilização, no caso de duas corridas semanais da sexta-feira para SP e da segunda para o RJ. Em tese, essa harmonia, permite que as duas entidades funcionem sem maiores problemas, principalmente no tocante a alguns jóqueis, que montam semanalmente lá e cá.
Há também outros aspectos. Há o caso, por exemplo do nosso campeão mundial Jorge Ricardo, que planejava completar a meta de 13.000 vitórias em Buenos Aires e voltar para o RJ, onde a sua família já está domiciliada há algum tempo, e seguindo montando já com as sonhadas 13.000 vitórias inclusive na programação do GP Brasil. Com a necessária alteração de datas, inclusive e principalmente com a paralisação das corridas na Argentina e a transferência em data possivelmente ainda não definitiva do GP Brasil, ficou o nosso campeão sem montar, e com o problema de eventuais quarentenas.
É um problema a ser resolvido, e provavelmente novas datas terão que ser admitidas. Os jóqueis que militam no turfe carioca ficaram mais de um mês sem corridas na Gávea, e profissionais liberais como são, passaram a frequentar as corridas de Cidade Jardim, passando a ser normal alguns jóqueis, como por exemplo: o Mestre C.Lavor, a grade revelação B.Queiroz e o ótimo L.Henrique obtendo bons resultados. L.Henrique por exemplo, na sexta 29 e no sábado 30 de maio, em SP, assinou compromissos de montarias em 12 dos 19 páreos, isso em parte pelo sucesso na semana anterior em que, em um só dia venceu 3 páreos em CJ em uma única reunião de 11 páreos. Na semana seguinte, ele, C.Lavor e B.Queiroz, continuam montando no RJ. É uma constatação que resulta do fato de que, já há alguns anos, o núcleo profissional dos jóqueis da Gávea, é sem dúvidas o melhor do país, mesmo em se considerando que em CJ, há bons jóqueis.
Um detalhe importante para o turfe brasileiro foi a terceira apresentação nos EUA, no Hipódromo de Santa Anita, da líder brasileira de sua turma e Troféu Mossoró de “Animal do Ano” de Jolie Olímpica. Após três corridas invictas no Hipódromo da Gávea, ela foi vendida para os EUA, indo para as mãos do conceituado treinador Richard Mandella. Após um necessário tempo para adaptação, ela estreou em páreo de 1.100 metros na grama. Naturalmente a potranca está aligeirada, pois nos EUA a técnica de treinamento não é preparar o cavalo para a distância do páreo seguinte, mais partidas semanais violentas que variam normalmente em 700 ou 800 metros. Assim, ela estreou em páreo de velocidade, quando sua última carreira no Brasil foi em 1.600 metros. O páreo foi vencido com grande autoridade, ela foi corrida em segundo lugar, e na curta reta de chegada, avançou poderosamente para ganhar em tempo recorde, 1’01” cravados para os 1.100 metros na grama. A sua segunda apresentação foi na milha na grama, sendo estendida sem maiores preocupações, confiando em sua alta qualidade. Correu na ponta e só se entregou nos últimos metros para uma ótima competidora, que veio a vencer também uma prova de G.1. Jolie Olímpica voltou a apresentar-se pela terceira vez voltando aos 1.100 metros na grama, em prova do G.2, com 200 mil dólares de bolsa. Correu em segundo lugar, e em luta com várias competidoras venceu novamente, ficando a 1/10 do seu próprio recorde. Após essa segunda vitória em Santa Anita, em entrevista pública na televisão, o jóquei Mike Smith que a montou nas três oportunidades, fez rasgados elogios às qualidades de Jolie Olímpica.

 

 
 
 

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