Newton Domingues Kalil
 
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HIPÓDROMO DO CRISTAL

E O GP TURFE GAÚCHO FOI DE BOM TAMANHO

* Os verões aqui no Estado mais ao sul do país são comemorados da mesma forma que em todo mundo, com disposição positiva acentuada, muitas expectativas de dias mais folgados e uma debandada coletiva para a praia. Nada diferente do que ocorre em países menos tropicais e com poucas praias.


Júlio Zanon e Clóvis Jesus Severo


* Aliás, quem já presenciou não me deixa mentir sozinho, é quase inacreditável o volume de pessoas com suas tralhas que na Europa, chegado o verão, debanda para as praias do Mediterrâneo. A tranqueira nas estradas pela turistada vinda da Alemanha, Inglaterra e demais países do Velho Mundo Ocidental faz a free way nas sextas à noite parecer um quase deserto.

* Pois bem, neste momento de menos gente em Porto Alegre, nos verões porto-alegrenses geralmente abafados, o Jockey Club do Rio Grande do Sul há cinquenta anos decidiu fazer uma Penca para produtos inéditos e que no decorrer destas décadas, mesmo com altos e baixos, se consolidou com uma prova selecionadora de qualidade dos animais que passarão a partir dali a fazer campanha.

* Assim, alguns dos melhores haras brasileiros e proprietários de evidência comparecem em janeiro após meses de preparo dos seus escolhidos para correrem os 700m do GP Turfe Gaúcho.

* Não vou recordar nomes desta brilhante história, pois já fiz algumas menções em crônicas anteriores. Mas, inevitável dizer que haras, proprietários e profissionais guardam em suas prateleiras com destaque vitórias conseguidas no tiro direto do Cristal.

* Afora as frustrações que ocorrem em bom número quando do preparo da potrada para correr o GP Turfe Gaúcho, seus vitoriosos via de regra possuem sangue generoso e se revelam em campanha de bons para cima.

* Não poucas vezes as potrancas, mais precoces, se permitiram derrotar os machos e, muitas delas, viraram verdadeiras lendas da maneira como venceram a importante competição.

* A partir de alguns anos o clube gaúcho resolveu alterar o regulamento, estabelecendo controle antidoping nos competidores, eliminando a necessidade do estressante “paddock” a que eram submetidos os inscritos e houve progresso expressivo quanto a sua saúde, independente de qualquer crítica que tenha havido.

* Neste ano, a história manteve a escrita. Dos quatro finalistas, três foram potrancas. E dois finalistas filhos do reprodutor estreante Kodiak Kowboy que, juntamente com o nacional Quick Road e o também estreante Shanghai Bobby, trazem esperança à qualidade dos produtos da geração de 2015 em todo o país.

* A vencedora Feiticeira Kowboy (Kodiak Kowboy e Lima Nova por Minstrel Glory), bem referida na crônica passada, alazão de bela estampa, utilizou o tempo de 40”9 para derrotar Madame Quick (Quick Road), Ahaha (Shanghai Bobby) e Forte Cheyenne (Kodiak Kowboy). Preparada pelo Darci Minetto que voltou com tudo da Gávea e pilotada com esmero por Marcelo B. Souza. A vitória na prova concedeu mais uma vez excelência aos métodos de criação do Haras Nijú que reservou para si a campanha e o ventre da futurosa potranca, além de ser o criador do quarto colocado.

* Independente do cartel do seu pai, merece referência a mãe da Feiticeira Kowboy. Lima Nova correu somente 7 vezes entre a Gávea e Cidade Jardim, obtendo 2 vitórias e 4 colocações. Além de neta de Minstrel Glory, sua linhagem é, praticamente, toda norte-americana, voltada para velocidade, sendo seu avô materno Time For A Change por Damascus. Produziu a nossa agora campeã aos 15 anos, depois de positiva fertilidade que continua com uma irmã inteira de Feiticeira Kowboy para o próximo ano, além de um produto ao pé por Wired Bryan e que, com certeza, despertarão a cobiça dos compradores.

* Afora o GP Turfe Gaúcho e suas apostas realizadas através de remates, o Cristal realizou sua primeira reunião do ano na sexta-feira, com 8 páreos que trouxeram a média de quase 23 mil reais e a realização do Clássico Abertura da Temporada Clássica, corrido em 1.200m e com a firme e surpreendente vitória do castanho Toor (Gregoriano e Poderosa Estrela por Romarin), criação do Stud Sobrosa e propriedade de Amilcar Pereira de Pereira. Cuidado por Cristian A. Moura e pilotado por Cenoir Macedo, derrotou o indefectível Xaxa Glory (Blade Prospector) eleito favorito, bem como Peron (Redattore) que vem recuperando sua antiga forma, Gló (Refuse To Bend) e Hefestion (Al Arab) que completaram o marcador premiado. Decepcionantes as atuações dos potros American Bull (Benny The Bull) e Oskari (Advogado), de quem muitos esperavam que lutassem pelas primeiras colocações.


Toor - Trotta Fotos

* No domingo, além do GP Turfe Gaúcho, outras oito provas foram corridas, seis no tiro direto da prova principal e duas em 1.380m reservadas para os produtos da geração 2014.

* A prova destinada às potrancas foi vencida por Prodigious Chris, uma Christine’s Outlaw e Praia do Rosa por Special Nash, criada no Cruz de Pedra que mantém copropriedade com os turfistas Gil Irala e Deuclides Gudolle. Aliás, a parceria espera uma excelente campanha para sua potranca no restante da temporada. Direção de Eber Gomes e treinamento de Luciano Arias.


Tunico e Atilano Zambrano

* No páreo dos potros, firme a vitória do defensor do Stud Slick, Fermento Em Pó (Wild Event e Poção Mágica por Spend A Buck), preparo do Nilton Pires, tendo como piloto Leandro Costa.

 


Alencar Zolin

 


Amilcar Pereira

* Na reunião desta semana será realizado pela primeira vez o Clássico Fernando Irajá Félix de Carvalho, destinado a éguas de 3 anos e mais idade, na distância de 1.200m.

* Pela primeira vez as corridas do Hipódromo da Gávea foram transmitidas com captação de apostas para os EUA. Os 7º, 8º, 9º e 10º páreos (foram apostados US$ 80 mil nestas 4 provas) da reunião de segunda-feira (15/1) e os 10 da jornada de terça-feira (16/1) fizeram parte do Sistema Gulfstream com mais de 1.200 pontos de captação de apostas, incluindo as agências e os cassinos de Las Vegas. A partir desta semana as corridas do Jockey Club Brasileiro já farão parte do simulcasting de Gulfstream sempre com a reunião das terças-feiras no estilo full-card (toda programação).

 

 

 
 

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