Newton Domingues Kalil
 
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HIPÓDROMO DO CRISTAL

O TURFE FENECE NO BRASIL?
REUNIÃO DESTA SEMANA SERÁ NO SÁBADO.

* Tenho procedido com muita parcimônia ao examinar a atual situação do Jockey Club do Rio Grande do Sul e no que concerne ao seu futuro como entidade promotora de corridas, sua primordial finalidade que está atrelada às atividades sociais, comunitárias e sempre visando o desenvolvimento da cultura em torno do cavalo.

* As semanas se sucedem e as dificuldades parecem recrudescer por aqui e nada é dito ou feito para que se tenha uma visão com algum prazo - curto, médio, longo -, respostas não são dadas a fim de se saber a quantas andamos e de que forma se poderá planejar alguma coisa com os animais em campanha ou sendo preparados para ela. Paira no ar, e isto não é bom, um certo desalento com relação ao futuro mais próximo e não se tem perspectiva que o mais afastado seja de bom tamanho.

* É preciso que a sociedade tenha presente as dificuldades - muitas conhecidas - o que se planeja para diminuí-las e com o que se pode contar de concreto para os próximos meses.

* Há muita conversa desencontrada que caminha ao lado de uma aparente inércia ou, nenhuma explicação do que de concreto existe para se superar este momento difícil.

* Os caminhos que pareciam ser mais sólidos não se abriram e com o desenvolvimento de um sistema de apostas próprio que parecia ser o início de uma nova era, os prejuízos começaram a se acumular, as receitas não vieram, o sistema apesar de jogar e demonstrar o turfe todos os dias mostra que os resultados por aqui encolheram nossa atividade, os prêmios já defasados não são pagos, os profissionais passam dificuldades, os criadores e proprietários estão cada vez mais escassos.

* Só para os leitores entenderem, no 1º Semestre de 2016 tivemos 26 reuniões, 288 páreos, 2.662 animais inscritos, R$ 1.678.380,00 pagos em dia aos proprietários, R$ 589.816,80 de comissões aos criadores e profissionais, e foram apostados R$ 10.934.364,37. No 1º semestre de 2017 os números assustam: 25 reuniões (1 a menos), 218 páreos (70 a menos), 1.973 animais inscritos (689 a menos), R$ 1.329.405,00 (R$ 348.975,00 a menos) não pagos em dia aos proprietários, R$ 478.585,80 (R$ 111.231,00 a menos) de comissões aos criadores e profissionais, e foram apostados R$ 3.304.759,86 (R$ 7.629.604,51 a menos).

* É preciso se unir, juntar forças e contribuir para o turfe não fenecer por aqui.

* Falando em dificuldades, impressiona os dados mais uma vez compilados pelo doutor Fragoso Pires Júnior, com base nos elementos constantes nos registros do Stud Book Brasileiro.

* O que vem acontecendo com a criação nacional em termos de números absolutos nos últimos anos é desolador.

* O número de criadores nesta temporada diminuiu 82% em relação aos anos 1990/1991, sendo que nas matrizes tivemos uma perda de 72% de ventres no mesmo período.

* Arrasadores são os números do ano passado (2015) para o final desta temporada. Em um ano tivemos 15% menos de produtos, quase 20% menos de matrizes, 17% diminuiu o número de criadores.

* A continuar esta drástica redução, o futuro do turfe brasileiro está seriamente abalado. Teremos daqui a pouco animais para que o Rio de Janeiro continue com suas três a quatro reuniões, Cidade Jardim com uma ou duas e haverá um pequeno número de animais para reuniões esparsas nos demais hipódromos. No Tarumã estão pouco mais de três centenas de cabeças - incluindo a potrada a estrear a partir de janeiro de 2018 -, o Cristal não possui mais de 450 e com tendência de diminuição. E os demais hipódromos ainda em atividade, sobrevivem.

* A legislação, a Pedra Única, os prêmios, as apostas, existem necessidade de mudança em todas as frentes. Como dito acima, é preciso muita contribuição, união e vontade positiva para o turfe não parar.

* O Cristal que viveu duas semanas de inverno camarada, sem chuva e sem frio, viu sua segunda reunião da nova temporada ser corrida em pista de areia macia e realizando 9 páreos nos quais foram apostados R$ 115.731,68, proporcionando a média de quase 13 mil reais por páreo, praticamente a mesma das duas semanas anteriores, representando uma estabilidade que merecia um viés de alta, tão necessário neste momento.

* Duas foram as provas nobres. O Clássico Tribunal Federal da 4ª Região, corrido na milha, reservado para Éguas de 3 anos e mais idade, trouxe seis inscrições e a vitória da potranca Linda Lui (Molengão e Viva Fafá por Know Heights), que pilotada por Leandro Costa, derrotou Entre Beijos (Crafty C. T.), sobrando para terceiro a segunda mais apostada Dark Force (Public Force). O tempo foi de 1’44”6, o preparo da vitoriosa é de Adriano Soares, criada pelo Stud TNT e propriedade da Coudelaria F.B.L. que segue prestigiando o JCRGS.


Linda Nui é da Coudelaria F.B.L. - Trotta Fotos

* Pois no Clássico Presidente Cneu Aranha, outros seis animais encararam os 1.100m no tempo de 1’07” - novo recorde - empregado pelo excelente alazão Peron (Redattore e Chris Lady por Grand Lodge), que não tomou conhecimento de seus adversários, deixando longe o favorito Samurai (Benny The Bull), que por pouco não perdeu a dupla para Blessed Of God (Inexplicable). Criado na Fazenda Mondesir e propriedade de Telmo Nunes Estrella, o velocista a ser derrotado a partir de agora teve a condução de C.Macedo e o preparo do competente Cristian A. Moura.


Peron deu um vareio - Trotta Fotos

* Nesta semana mais duas provas clássicas abrilhantarão a reunião semanal no Cristal e que será corrida no sábado.

* A primeira é o sempre esperado Handicap dos Tordilhos, GP Governador do Estado, a ser corrido na milha e reservado para animais desta pelagem.

* Por seu turno, o Clássico Ministro da Agricultura, em 2.200m, deverá atrair os pretendentes ao GP Protetora do Turfe em setembro e promete ser uma disputa ao agrado do público que deverá comparecer em bom número ao Cristal, principalmente se a tarde de sábado for com tempo bom, depois de uma semana em que o inverno deu as caras intensamente.

* O jornalista Marcos Rizzon pede escusas aos leitores desta página, pois na edição passada colocou “Corridas de 14 de Julho - Reunião Nº. 2 - Quinta-Feira”, quando na verdade e obviamente 14 de julho era na sexta-feira. É que todos nós, ainda, não nos acostumamos com os novos dias de corridas. Todavia deu para ver o “Ibope” do JT. Dezenas de ligações de leitores para o JCRGS para confirmar o dia da corrida... 

 

 
 

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