Newton Domingues Kalil
 
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HIPÓDROMO DO CRISTAL

A NECESSIDADE DE MUDAR. DOIS CLÁSSICOS NA REUNIÃO DO DIA 17 DE NOVEMBRO.

* Quando fiz referência na semana passada sobre a reunião do Conselho Consultivo do Jockey Club do RS e do destaque que foi dado nela no que concerne à isenção geral dos sócios com relação a algum tipo de contribuição - qualquer tipo ou denominação serve - para a manutenção e investimentos do clube, não pensava que o assunto teria tanta repercussão.

* Para recordar ficou consignado que o Jockey em praticamente toda a sua centenária história, em nenhum momento entendeu que seus sócios fossem passíveis de pagar mensalidade ou como queira se denominar um aporte de valor para que o clube faça frente às suas despesas de funcionamento, de vez que é entidade sem fins lucrativos.


Olabisi marcou ponto para o Haras Salamandra - Trotta Fotos

* Pois as linhas escritas a respeito suscitaram diversas considerações, a maioria consagrando que mesmo o “Jockey não dando nada”, esta é a hora de reformulação da relação da entidade com seus sócios, colocando um ponto definitivo nesta omissão histórica e verdadeira leniência com o patrimônio comum.

* Vou repetir para os que não leram ou para aqueles que “fazem de conta que não é com eles”: a única maneira de se manter um clube social-esportivo, uma associação filantrópica associativa, um condomínio de imóveis, exemplo de entidades que não possuem fins lucrativos por decorrência de definição legal nas suas constituições é aqueles que - espontaneamente - façam parte do grupo, contribuam para seu sustento que implica em planejamento, organização, gestão e controles que em contrapartida geram o cumprimento do que esteja em seus estatutos.

* Os exemplos são claros. Nas duas últimas décadas inúmeros clubes de natureza social-esportiva e dezenas de instituições filantrópicas desapareceram do contexto da sociedade por falta de condições de continuarem. Os condomínios bem administrados vão muito bem obrigado, enquanto um número enorme deles viu suas despesas crescerem por inadimplemento de condôminos.

* Por seu turno, está entre nós o exemplo do Grêmio Náutico União que por força da contribuição de seus associados está hoje entre os cinco maiores clubes brasileiros e agregando patrimônio em vez de vender, fruto de gestão e controles permitidos pela contribuição de seus associados. Aliás, há dois meses o União incorporou tradicional clube local, Petrópole Tênis Clube, situado em zona nobre da cidade e com uma patrimônio invejável, estava às portas de encerrar suas atividades por falta de volume da contribuição dos sucessos resistentes.

* Assim, insisto que o JCRGS empreenda a iniciativa de promover a alteração do seu Estatuto, permitindo a reclassificação e modernização da nomenclatura destinada aos seus sócios e, na medida do legal e possível, estabeleça novas regras para a diretoria executiva do clube encontre meios para ajustar contribuição dos sócios e planificar a utilização dos espaços comuns em benefício destes, ficando a regulamentação para os que não sejam sócios dentro dos parâmetros que forem estabelecidos no sentido de, inclusive, justificar a presença destes últimos.

* Por outro lado, creio que constante preocupação da diretoria do Jockey e, maior ainda, do presidente Felizzola é todos os elementos que dizem respeito às apostas nos hipódromos brasileiros, o posicionamento de cada clube relativamente ao sistema a ser empregado, qual sua extensão, quem irá atingir, quais são os limites para estabelecer investimentos, haverá Pedra Única um dia ou, pelo menos, união entre os diversos interessados para que o turfe possa recobrar sua importância e cumprir com seus objetivos.

* Havia a informação de reunião a ser realizada no Rio de Janeiro com os dirigentes das quatro principais entidades promotoras de corrida e até o momento que escrevo nada consegui de informação. Lastimo, pois estava com a esperança de trazer a notícia de que os clubes de turfe estão interessados em desenvolver uma sistemática visando o gradual aumento das apostas, esquecendo em parte as individualidades que tanto são acentuadas pelos egos.

* Ainda sem um posicionamento, sem a informação, também, de quanto pelo sistema PMU foi apostado, a reunião da última sexta-feira recebeu um MGA no sistema Suaposta de decepcionantes R$ 75.753,18, proporcionando a média de R$ 9.469,11 por páreo. Não se verifica qualquer reação quando se fala de volume apostado e, mesmo que as corridas tenham diminuído de número e os páreos têm se demonstrado menos convidativos, não se justifica tão pouco valor.

* Como ressaltado anteriormente, na falta de clássico, o melhor páreo seria o dos Pesos Especiais, o sétimo, em 1.300m e corrido com pista encharcada. Parelhas, as apostas demonstraram a divisão dos turfistas, sendo que não ocorreu o esperado duelo entre Xaxa Glory (Blade Prospector) que chegou em muito bom segundo lugar, com Nosso Maestro (Refuse To Bend), quinto, eis que a vedete do páreo foi o veterano e eficiente Qua Qua Qua (Amigoni e Left Handed por Vettori), no bom tempo de 1’21”09. Lembrando suas melhores atuações, entrou na reta em último e em avassaladora atropelada derrotou o castanho do Dr. Atilano com autoridade. American Bull (Benny The Bull) e Kempes (Pioneering) chegaram, respectivamente, nos terceiro e quarto lugares. A condução do vencedor foi de Eber Gomes e o preparo de R.Fernandes. Criação do Haras Old Friends Ltda e propriedade da Unrivalled Stables.


Qua Qua Qua, retornou tinindo - Trotta Fotos

* A reunião semanal do Cristal será realizada na sexta-feira, 17, com o calendário sendo alterado em razão do feriado (15) e da programação dos hipódromos do centro do país.

* Estão programados dois clássicos em 2.200m, reservados para animais de 3 anos e mais idade, sendo o Clássico A. J. Peixoto de Castro para éguas e o Clássico Senador Pinheiro Machado, destinado aos machos.

* Para encerrar quero fazer minha homenagem ao nascimento do André Luis D’Ávila, filho do jovem e talentoso advogado Gustavo D’Ávila que com sua Tatiana não cessam de olhar as estrelas e agradecer ao Grande Arquiteto a generosidade de lhes conceder um filho com muita saúde. Aliás, pela dedicação do pai que está gastando boa parte do seu tempo para lavar os guardanapos, estou trabalhando dobrado.

 

 

 
 

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