NATALIA ESTEVES PACHECO EXPLICA O QUE É O CLUB HIPÍCO MONTE NATIVO

NATALIA ESTEVES PACHECO, nossa entrevistada, é formada em Medicina Veterinária pela Universidade da Região da Campanha (URCAMP - Bagé/RS), em Gestão do Agronegócio pela faculdade IDEAU (Bagé) e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (Santa Maria/RS), radicada desde 2018 no Uruguai, atualmente no Haras Cuatro Piedras - hoje encontra-se a cargo da coordenação e promoção da seção brasileira do CLUB HÍPICO MONTE NATIVO -.

JT - Qual é teu vínculo com o mundo do turfe no Brasil?
NEP - Minha paixão por cavalos vem de infância, onde tive meus primeiros contatos. A proximidade com o turfe começou na época em que eu trabalhava com a Srª. Zuleika Torrealba (Cabanha da Maya), matriarca dos Torrealba, família tradicional na criação de Puro-Sangue Inglês no Brasil (Stud TNT). Junto ao meu marido Julliano Viana Pacheco, treinador de cavalos de corrida e médico veterinário, meu envolvimento com cavalos se tornou mais profundo, participando da rotina diária de treinamentos, clínica esportiva, criação, seleção de animais, comercialização e demais atividades que envolvem o meio. Atualmente presto serviços de exportação e importação de cavalos Puro-Sangue Inglês e de mais raças, através da empresa familiar JP Import Export.
Também desempenho a coordenação e promoção da seção brasileira do Club Hípico Monte Nativo, do Haras Cuatro Piedras - Uruguai.

JT - Porque radicou-se no Uruguai?
NEP - A opção de radicar-me no Uruguai, veio de um projeto profissional de desenvolver atividades no meio turfístico e desde 2016, começamos as atividades de exportação e importação, treinamento e competições, sediados em Melo, cidade do departamento de Cerro Largo, no norte do Uruguai, a 380km da capital Montevidéu.

JT - Qual é o crescimento do turf uruguaio?
NEP - Atualmente o turfe uruguaio, tem destacada posição entre os países do Mercosul. Uma atividade altamente aquecida, com maior dotação em prêmios, com 6 hipódromos em plena atividade, 4 reuniões semanais e número expressivo de animais em treinamento e competição, movimentando diretamente e indiretamente toda a atividade ligada ao turfe. Muitos criadores, proprietários e profissionais estrangeiros, grande parte vindos do Brasil e Argentina, hoje desenvolvem suas atividades ou trabalham profissionalmente no Uruguai. Apesar de toda a pandemia e o momento difícil em que passamos, o turfe uruguaio praticamente nunca parou, mantendo suas atividades, com prêmios pagos em dia. Teve também merecido destaque esse ano 2021 no Festival do Carnival, realizado em Dubai, onde cavalos uruguaios treinados pelo brasileiro Antonio Cintra, representaram muito bem o turfe uruguaio e sul-americano.

JT - Como a pandemia da Covid-19 afetou Maroñas, que voltou a correr com brevidade?
NEP - Como citei anteriormente, a pandemia afetou momentaneamente o turfe uruguaio no princípio, ficando aproximadamente 60 dias sem atividade, sendo que após esse período foi o primeiro esporte a retomar as atividades no país e na América do Sul (o Jockey Club de São Paulo foi o único que prosseguiu com corridas).

JT - Vives em um centro de treinamento, como são as instalações, quais os serviços oferecidos? Quem está envolvido?
NEP - Hoje vivo no Haras Cuatro Piedras, onde meu marido é o responsável pelo Centro de Treinamento Monte Nativo, um lugar privilegiado pela natureza, a apenas 40 minutos do Hipódromo de Maroñas e 30 minutos do Aeroporto Internacional de Carrasco, com estrutura e instalações ideais para o desenvolvimento e treinamento de cavalos de corrida. Conta com uma seção exclusiva de iniciação de potros (doma), com redondéis, caminhadores elétricos, piquetes, partidores, pista de areia (1.500m), cocheiras confortáveis, piscina, complexo cirúrgico moderno, equipamentos de última geração para diagnóstico de imagem, shock wave, aparelho para analises de hemogramas, enzimogramas, bioquímicos e em breve cintilografia. Além de contar com uma equipe profissional preparada para realizar desenvolvimento do cavalo atleta.

JT - Você nos disse que faz parte da montagem de um sistema de muito sucesso no mundo, mas inovador na região, que é a constituição de um Clube de Proprietários de Cavalos Puro-Sangue.
NEP - Os clubes de proprietários são modelos exitosos no mundo das corridas de cavalos. A compra de um ou mais cavalos e a posterior emissão de ações, se converteu no turfe moderno em um negócio consolidado. Nos EUA, Franca, Hong Kong, Japão, Austrália e Inglaterra a sindicalização de um cavalo e uma pratica habitual. Aqui na América do Sul somos os pioneiros devidamente documentados e legislados com esse sistema.

JT - Qual é a aposta desportiva do projeto CLUB HÍPICO MONTE NATIVO?
NEP - O elenco de cavalos que consiste o projeto do Club Hípico Monte Nativo, conta com 30 potros da geração 2019, onde 20 deles foram selecionados da produção do Haras Cuatro Piedras no Uruguai e 10 oriundos do Brasil, dos Haras Bagé do Sul, Old Friends, Nijú e Eternamente Rio, selecionados com critérios objetivos (pedigree, criação, desenvolvimento físico, etc), apoiado por um comitê técnico profissional liderado pelo médico veterinário Dr. Ulisses Carneiro, onde compõem também o médico veterinário Dr. Flavio Della Corte e o Julliano Viana Pacheco.

JT - Qual é o preço de cada ação? O que deve dispor cada interessado? Como irá pagar?
NEP - O valor de cada ação são U$ 3.600,00 dólares semestrais (US$ 3.600,00 x 6) + US$ 150,00 dólares a taxa de adesão, ou seja, no primeiro semestre se paga US$ 3.750,00 dólares no momento da adesão. O Clube terá a duração de 6 semestres (3 anos), o que totaliza US$ 21.600,00 dólares (mais taxa de adesão). Haverá um desconto de 18% para quem efetuar o pagamento à vista das ações.

JT - Existe algum gasto fora do valor da ação?
NEP - O preço de cada ação compreende o valor da compra do plantel dos cavalos, assim como todo os custos de manutenção, como alimentação, treinamento, ferrageamento, doma, assistência veterinária, exames, procedimentos de qualquer ordem, transportes, etc.

JT - Qual é a estrutura jurídica e quais são as garantias para os sócios?
NEP - A estrutura jurídica é baseada em sua totalidade num FIDEICOMISO, com legislação própria e legal para tal atividade. Os prêmios serão pagos trimestralmente na conta de cada sócio, fornecida pelo mesmo.

JT - Como os proprietários brasileiros visitarão o clube? Eles poderão comparecer em qualquer época do ano? Como conseguir? Como acompanharão seus cavalos?
NEP - Os sócios tem acesso as dependências do Clube com aviso prévio durante todo ano, podendo estarem presentes nos treinos, também na sede, que dispõem de um bar armazém com cozinha típica uruguaia, carta de vinhos e vista panorâmica para a pista, desfrutando de linda área de lazer junto a natureza, cercada pelas melhores vinícolas do Uruguai. Os sócios poderão acompanhar o desenvolvimento dos cavalos, através de uma plataforma de acesso, onde contarão com uma senha e login. Essa plataforma será alimentada com informações semanalmente. Tudo que corresponda aos treinamentos, condições e preparação de cada atleta.

JT - Uruguai, Montevidéu, Punta del Este, Colonia do Sacramento, são lugares conhecidos e atraentes para muitos de nós. Você planejou alguma outra atividade fora das instalações do Clube para os sócios?
NEP - Estão previstas inúmeras atividades, como programações gastronômicas e turísticas nos principais pontos do país e suas vinícolas marcantes na qualidades dos seus vinhos. Shows artísticos, teatros, concertos e tudo de melhor que o Uruguai pode oferecer para seus visitantes.

 



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