Demetrio Ferreira de Oliveira
 
 
 

ÂNGULOS DE RESULTADOS DOS POTROS EM 2017
Demetrio Ferreira de Oliveira

         O intervalo de tempo para os potros de 2 anos nas pistas sul-americanas terminou neste último final de junho. Apenas os primeiros seis meses estiveram reservados, enquanto no hemisfério norte, esse período é de doze meses, de janeiro a dezembro.
Sendo somente um semestre, potros estreando ainda verdes, outros ricos de precocidade, o decurso evolucionário em andamento, é difícil prognosticar algum como de exceção. Tudo concorre para dificultar uma retirada desse merecimento das estatísticas pertinentes. Seria cedo fazê-lo.
O último craque, verdadeiramente merecedor de tal qualificação, foi Bal A Bali (Put It Back). Mas tal consideração somente veio a ser firmada depois que nos deliciou com a notável e inesquecível reta do GP Estado do Rio de Janeiro, a milha da Tríplice Coroa, os 200 finais feitos de galope largo. Só que Bal A Bali já tinha 3 anos.
É inquestionável reputar Jadir (Soldier Of  Fortune, portanto Galileo) o melhor 2 anos da Gávea em 2017, mas não se pode ainda, nesta altura, ser considerado um craque, cabendo-lhe indubitavelmente, a de ser um excelente potro. Com certeza o aumento da distância deve cair “como uma luva”, pela herança paterna de Galileo e ser Nijinsky um dos formadores de sua linha baixa. Todavia, foi vendido para Hong Kong e vamos ter que torcer de longe para que isso aconteça.


Jadir - Gerson Martins

Estando Jadir encantando o turfe asiático, podendo lá continuar a campanha, a liderança na Gávea estaria aberta, postulada por um bom número de potros.
A provisória liderança feminina está muito bem entregue a Silence Is Gold (Agnes Gold, um grandíssimo lançador de fêmeas), que nos deu exibições esplêndidas. De tudo que vimos a questão entre as potrancas “gaveanas”, poderá, quem sabe, ser colocada apenas por SixFlags (Drosselmeyer), brilhante vencedora da Prova Especial Risota, já fora do período, pois se deu no dia 2 de Julho.
Em Cidade Jardim, os potros fizeram disputa prolongada, alternada entre Dragão (Pioneering), precoce e veloz, e Knight Of Glory (Farenheit), para finalmente, ao final do período, a liderança ser tomada por Gibraltar Point (Rock Of Gibraltar), magnífico vencedor do GP Farwell (G.1), quando registrou o novo recorde da prova.
Tal como Silence Is Gold no Rio, Love ‘N’ Happiness em São Paulo, filha do excelente reprodutor nacional Setembro Chove, não deixou dúvida com suas convincentes vitórias.
No Sul, as Taças de Cristal confirmaram o predomínio de Nadador Lô (Crimson Tide) e de Perfect Bullet (Benny The Bull). Essas lideranças parecem bem entregues, sem discussão, machos e fêmeas, respectivamente.
No Paraná, os últimos clássicos foram vencidos pelo potro Keen Of Iguassu (Crafty C.T.) e pela potranca Galang (Amigoni). São bem aceitos líderes no Tarumã.
Por número de vitórias de seus filhos, considerando apenas Rio e São Paulo, os reprodutores se colocaram proximamente, prevalecendo ao final os seguintes (com no mínimo 4 vitórias):

# Rock Of Gibraltar, 11, sendo 1 em prova clássica;
# Agnes Gold, 8, sendo 3 em provas clássicas;
# Pioneering, 7, sendo 2 em provas clássicas;
# Soldier Of Fortune, 7, sendo 2 em provas clássicas;
# First American, 7
# Put it Back, 7
# Wild Event, 7
# Drosselmeyer, 6
# Farenheit, 4, sendo 3 em provas clássicas;
# Public Purse, 4
# Que Fenomeno, 4
# Quick Road, 4
# Silent Times, 4

         Não figurantes na relação acima, devem ser citados Crafty C.T. com 2 vitórias clássicas, Desejado Thunder 1, Glória de Campeão 1, Setembro Chove 3 e T.H.Approval e Timeo com 1.
Cada vez mais acreditado (Viva!) o garanhão brasileiro segue conquistando espaço. Deste levantamento fazem parte Desejado Thunder, Farenheit, Glória de Campeão, Que Fenomeno, Quick Road, Setembro Chove e Timeo, ou seja, do total de 20 distinguidos, 7 nasceram em chão brasileiro.
No segundo semestre deveremos conhecer o líder entre os pretendentes, ou vermos as lideranças confirmadas. Tradicionalmente, para os machos na Gávea, isso fica apurado com a disputa do GP Linneo de Paula Machado, Grupo 1, o Grande Criterium.
No ano passado, a liderança indefinida não deixou um nome firmado. Os 2.000 metros do Linneo foi vencido por El Shaklan (Roderic O’Connor, um Galileo), que esteve ausente no Derby, levantado por um seu irmão paterno, o vistoso Emperor Roderic.
Das potrancas dessa mesma geração, a de 2013, já em campanha com 3 anos, nos encantamos com No Regrets (Fluke) incontestada líder e sagrada Tríplice Coroada ao levantar o também tradicionalíssimo Zélia Gonzaga Peixoto de Castro. Não foi destaque aos 2 anos.
É verdade que poucos sustentam a liderança desde os primeiros passos, passando pelo enfrentamento das fortes provas dos 3 e dos 4 anos. Farwell, filho de Burphan e Marilu, por Wood Note foi um deles, sendo mesmo capaz de na Argentina exibir sua condição de super cavalo que a poucos, muito poucos, é conferida. Nos Estados Unidos, no tempo que anualmente nasciam 40 mil potros, tivemos Secretariat (Bold Ruler, linha paterna de Nasrullah), surgindo recentemente Arrogate (Unbridled’s Song), fascinante tordilho, igualmente um super cavalo.

 

 
 

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