Demetrio Ferreira de Oliveira
 
 
 

ANTES E DEPOIS DE PHALARIS (PARTE 2)
Demetrio Ferreira de Oliveira

            A segunda vertente modificadora de PHALARIS é a que contém o norte-americano NATIVE DANCER, conhecido em sua época por Grey Ghost, nascido em 1950, criado por Alfred G. Vanderbilt, que foi brilhante nas pistas e grandíssimo protagonista na criação.


Native Dancer - www.spiletta.com

A ação que coube a NEARCO (Parte 1) repete-se com NATIVE DANCER, tornando ambos os responsáveis pelas modificações ocorridas, a física (as silhuetas não se casam) e a velocidade (as distâncias tiveram que ser encurtadas).
Sintetizando, passado o “furacão” chamado PHALARIS, as linhagens de NEARCO e de NATIVE DANCER se impuseram de tal forma a tornarem as demais enfraquecidas, levando mesmo ao desaparecimento de algumas, não importando se de ECLIPSE, MATCHEM ou HEROD.
O veículo da ação dessa segunda vertente é MR. PROSPECTOR, neto de NATIVE DANCER, correspondendo a NORTHERN DANCER da primeira parte.
Esse completo domínio se estende cada vez mais com o tempo, chamando a atenção para a consanguinidade estreita. Nos dias de hoje é muito difícil a idealização de um pedigree com baixa representação de um ou de outro, de MR. PROSPECTOR ou de NORTHERN DANCER.
Sem suficiente vigor para continuarem a se expressar, as linhagens BLANDFORD, HYPERION, ST. SIMON, TEDDY e TOURBILLON cederam posições, dando espaços para as de NATIVE DANCER e NEARCO.
O acolhimento de NEARCO (1935) pela nossa criação foi singelamente apresentado na Parte 1. Em seguida, da mesma maneira, o de NATIVE DANCER (1950), o Grey Ghost.
Esse novo acolhimento dá-se anos depois, não só pelo hiato entre os nascimentos dos protagonistas, mas também porque estávamos apegados à conduta europeia. Mas o sucesso de MR. PROSPECTOR despertou o interesse dos europeus, e acabaram levando MISWAKI, MACHIAVELLIAN e KINGMAMBO.
Sem podermos resistir à influência norte-americana, logo descobrimos MR. PROSPECTOR, e a disputa com NORTHERN DANCER daí para frente se dá ao sabor dos valores de mercado e ao gosto do próprio criador.
Melhores avaliados entre nós, os filhos de MR. PROSPECTOR, que não pôde colocar em seu turf record uma vitória graduada, ocuparam espaços e hoje são dominadores no nosso quadro de reprodutores.
Tal como ocorreu em relação a NORTHERN DANCER, a despeito de interessantes importações, algumas estão passando ou mesmo já passaram sem muito deixar. Mas a média dos da linhagem MR. PROSPECTOR se colocaria um pouco acima, de mais potencial.
Talvez a primeira mais importante importação tenha sido a de VETTORI, consagrado na Europa como runner e reprodutor, trazendo o sangue nobre de MACHIAVELLIAN. Não vamos considerar de poucos méritos seu desempenho aqui no Brasil, mas certamente não esteve ao nível esperado, até porque cobriu éguas selecionadas.
Pouco tempo depois, por duas temporadas em shuttle, recebemos ELUSIVE QUALITY, filho de GONE WEST, um dos mais importantes filhos de MR. PROSPECTOR. ELUSIVE QUALITY brilhou entre nós, mas não como a estrela imaginada, considerando os 6% de vencedores clássicos no hemisfério norte, incluindo ganhadores de Grupo na Europa. Acresce-se a impressão deixada por seu porte, sua estampa à prova do mais exigente apreciador do cavalo moderno. No nosso hemisfério, aquele percentual cai pela metade, 3% (fonte Stallion Register For 2013).
IMPRESSION, da linha de FAPPIANO, a mesma de ARROGATE, também de mesmo manto tordilho, deu-nos GLÓRIA DE CAMPEÃO, o nacional recordista de prêmios ganhos. Poderíamos dizer que teria ultrapassado a meta imaginada.
JULES, um FORTY NINER, precocemente desaparecido, mesmo com poucas gerações deixadas, emplacou ganhadores de Grupo e está se mostrando um estupendo avô materno.
NORTHERN AFLEET, norte-americano com campanha na origem, que produziu muita qualidade, com vários vencedores de Grupo, inclusive BAROLO (GP Brasil 2015). É outro se revelando ótimo avô materno e quem sabe vir a ser um pai de pais, por conta de QUE FENOMENO, entrando com sucesso na reprodução. Pela amostra e bem servido de reprodutoras QUE FENOMENO poderia dar um bom recado.
Outro norte-americano, FAST GOLD, alazão filho direto de MR. PROSPECTOR, gerou o excelente SETEMBRO CHOVE, bom nas pistas e dá enormes esperanças na reprodução. Com um book seleto e amplo, talvez possa vir a produzir um seu continuador paterno, desempenho reclamado pela criação nacional. Já teve uma filha exportada e é o pai de duas excelentes potrancas apresentadas em Cidade Jardim, LOVE ‘N’ HAPPINESS e LOVE YOUR LOOK, esta última vencedora da 2ª prova da Tríplice Coroa 2017.
Já desaparecidos, CHOCTAW RIDGE e DODGE cumpriram bem seus papéis, tanto na produção de ganhadores de Grupo, como também na de matrizes para o nosso elevage. Em particular, DODGE gerou bons velocistas como LOST LOVE, vencedor do Major Suckow 2015.
Muitos outros foram incorporados à nossa criação como CAPE TOWN, CRAFTY C.T., FIRST AMERICAN, INEXPLICABLE, OUR EMBLEM, PIONEERING, POINT GIVEN, SIGNAL TAP, TORRENTIAL e YAGLI, com boas respostas na reprodução, inclusive por vencedores de provas grupadas. A ressaltar o papel de alimentadores do nosso plantel de éguas de cria.


Crafty C.T. - Horse Sales


Iniciando as atividades, encontramos DROSSELMEYER, um filho de DISTORTED HUMOR, ganhador de mais de três milhões e setecentos mil dólares em pistas americanas. Sua primeira geração brasileira debutou em 2016 com resultado promissor. Hoje administrado por um pool de criadores em Bagé, com éguas de primeira à sua disposição, tem muito para acrescentar à criação brasileira.
Muitos americanos consideram ser MR. PROSPECTOR o compensador do vazio deixado por SECRETARIAT (linha NASRULLAH/NEARCO), um super cavalo, sem, entretanto, ter sido capaz de gerar algum próximo de sua grande classe, apesar da riqueza que cobriu.
Uma constatação de capital importância para a continuação do PSI é, tanto MR. PROSPECTOR quanto NORTHERN DANCER, fazerem-se prolongar através de seus descendentes por várias gerações que chegam até hoje, conduzindo-os para o domínio absoluto da criação.
Em termos mundiais, infere-se das páginas inseridas “Introduction to Sire Line” no Stallion Register For 2013, um empate técnico entre esses maravilhosos raçadores, com base no número de filhos ilustres na reprodução.
Sobre as famílias de MR. PROSPECTOR, é para dizer que são constituídas por cavalos que têm vontade de correr, velozes, muito precoces (grande produção de 2 anos), mas algumas com aprumos indesejáveis. Têm na milha a distância preferida.
Quanto às formadas pelo canadense, que não foi Tríplice Coroado americano por detalhes, ganham em todas as distâncias, areia ou grama, em qualquer hipódromo, em qualquer continente.
É justo, intuitivo pensar esses notabilíssimos raçadores por muitos anos à frente da criação mundial. Chegaram e tornaram-se regentes.

 

 
 

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